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terça-feira, 11 de junho de 2013

BRAZIL: EXERCÍCIO FÍSICO OU MARTÍRIO?

JUDEU ERRANTE


Sérgio Antunes de Freitas




www.google.com.br/images Os carrascos dos "gordinhos": Bob Harper e Jillian Michaels.





É inquestionável! Fazer esportes ou apenas ginástica é importante para a saúde em qualquer idade.
Há alguns anos, entrei em uma academia e, embora não tenha emagrecido como desejava, meus exames de sangue mostram-se excelentes.

Como em tudo na vida, as academias modernas têm prós, que são muito vantajosos, e contras, passíveis de tolerância.

Um item, que julgo contrário à moral e aos bons costumes, é o nome que dão aos aparelhos, para demostrarem modernidade ou algo parecido, apesar de escancararem os mais vergonhosos sentimentos de colonialismo. Parecem nomes de astronautas estadunidenses: spinning, boxing, crossing, steping. Ah! Tenham paciência!

www.google.com.br/images "sobe-morro", UIA!

Eu crio meus próprios nomes, até mesmo para guardar a seqüência na série de exercícios.
Um deles em que, de pé, se movimenta as pernas, como se estivesse andando em um lamaçal, e os braços, como se estivesse esquiando, eu denominei “sobe-morro”.

Em outro, também de pé, posiciona-se os membros superiores em “L”. Os braços ficam junto ao corpo e os antebraços na horizontal. Segurando cordas atreladas aos pesos, se abaixa os antebraços até a posição vertical. Depois, se volta os antebraços ao ponto original. Simples, mas eficiente para fortalecer a musculatura de braços e ombros. Devido ao movimento repetido, eu apelidei a ação de “Michel Teló”.
Em outro, ainda, agora sentado, devemos exercitar a abertura das pernas, pressionando uma peça que levanta os pesos do aparelho com a parte lateral e externa das coxas. Esse se chama “Ái, amor!”

Seu oposto, no qual se usa a parte interna das coxas, forçando o fechamento das pernas, é o “Amor, ái!”

Mas, agora, me apareceu o “cajado do judeu errante”, arruinando meu prazer de me dirigir ao local.

Diz a lenda sobre a Via Crucis ter Jesus sofrido uma de suas quedas em frente à casa de um judeu, um sapateiro que achava ser o nosso Mestre um farsante, um impostor. Nessa hora, o calçadista gritou com ironia: - Caminha!
Provavelmente, Cristo olhou para ele e disse: -... me aguarde!
Por castigo divino, o judeu foi condenado a vagar com seu cajado pelo deserto, até o dia em que Jesus volte ao mundo pela segunda vez. Dizem que o condenado já foi visto caminhando pelas regiões desertificadas do Rio Grande do Sul, Paraíba e Piauí.

Assim, meu novo exercício ganhou esse nome, pois se deve ficar de pé, com as pernas semi-abertas, segurando em uma barra de ferro vertical, como se fosse o famoso cajado.
Uma perna é, então, afastada do corpo para trás, sem incliná-lo.
Na continuidade da tortura, deve-se abaixar e levantar o tronco verticalmente, também sem incliná-lo.
Na primeira abaixada, já vem uma quase irresistível vontade de desistir não só da academia, mas da própria vida.
Na terceira, começam a doer os músculos anteriores e posteriores das coxas; e as pernas não querem mais obedecer.

Nem parar para descansar um pouco adianta como esperança. As dores se tornam ardências e os meniscos pedem clemência.
O arrependimento de ser gordo e pesado chega ao intolerável. A promessa, em pensamento, vem forte: - Nunca mais como nada!
Mas ainda faltam muitos abaixamentos e, também, trocar a posição das pernas para repetir todo o martírio.


E o Messias não chega!







Sérgio Antunes de Freitas


9 de junho de 2013