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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

BRAZIL: TEMPOS DE VIVER...SENTIMENTOS


SENSIBILIDADE
Marina da Silva

Sensível objeto
Subjetivo sentimento
Sentir
Pensar o sensível sentindo
Com toda a força do pensamento tocar o em-mim o outro
O diferente de mim o além-de-mim-mesmo
Subjetividade objetivada.
Insensibilidade
Não-ausência do espírito no sentimento
É o sentir tosco, grosseiro,
O sentimento natural não humanizado
Potência enrustida precarizada pela pobreza sensível
Sensibilidade miserável
Um sentir enviesado de ponta-cabeça estropiado.
Um eterno vir-a-ser abortado despossuído
Inacabado destituído do humano.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

BRAZIL BRUMADINHO-MINAS GERAIS: VALE CULPADA, ASSASSINA!

Marina da Silva
DECADÊNCIA MORAL, INTELECTUAL E VALE ASSASSINA! CULPADA!  



VIDA SEGUE

O problema mudar,
Mudança, mudou influenciadores, virtuais
Tempo de insegurança, segurar, curtir
A questão ter questão
Fazer questão, sapato apertado, discutir relações
Dedos livres, alívio, ginástica sentindo os artelhos
Conforto, liberdade, vigilância digital, redes sociais
Escapar das teias
Não ter problemas
Ansiedade, angústia, insônia, dor de barriga
A caixa de pílulas coloridas
Drágeas, comprimidos, cápsulas Dragon
Supositórios de Fuga. 
Criar problemas
Comodidade, leveza, cerveja, tequila
Uma foto para o instagran, retocada, perfeita
E a sensação de ruína, desmoronamento, desolação
Companhia Vale do Rio Doce, VALE tudo tudo VALE
Lucros absurdos, vidas humanas VALE SAMARCO MARIANA
Três anos a mesma tragédia anunciada 700 mineradoras
Vontade de vomitar, dor de cabeça, coração dói muito
Explosão, rompimento, rejeitos tóxicos e humanos
No meio do caminho havia seres humanos. Sirenes mudas.
Tóxico problematizar, voltar a problemas resolvidos, pois insolúveis
Irresolvível neologismo irresoluto
Luto; luta; lutar; conformar soterrado aterrada
Ruindade obrigatória, condolências 24H cortina de lama 
Câmaras, Congresso, corrupção, patrão de esquadrão da morte
O menino teve um lar desestruturado, diz o pai presidente-asno
A menina uma fraquejada, vagabundos, índios, quilombolas.
É difícil e doloroso ser patrão no Brasil e os idiotas no caminho da VALE.
Mesmos problemas...
Cura gay é PeTralhar, lei do armamento, primeiro mandamento matar.
Inanição, burrismo em alta. Youtubers formadores absurdos fakenews
Seguidos por milhões, classe média inculta e incauta propagam aberrações.
Tantos mortos meu Deus! Parei de contar mortos assistindo TV
Milhões de toneladas.
Rejeitos de mim, olhos secos, enlameados e os militares no poder
Frio na barriga, dor de barriga
Estremecimentos, queimação na boca do estômago, coração na boca.
Vômitos, vomito CULPADOS, ASSASSINOS.
Serial killers, sociopatas, todos eles, VALE pontos na Bolsa.
Não consigo identificar o que está acontecendo...comigo.
Pânico, dores na alma, e aquela dor de barriga, gastroenterologista.
Voltar aos problemas resolvidos. Explodiu em Brumadinho, Minas Gerais.
Revejo a cena mentalmente na televisão em todos os canais milhões de vezes.
E o coitado do Flávio Bolsonaro menção honrosa a assassinos...
Escapar. Escapou. Escape, fuga
Com drogas, milhões de dólares em uma semana carioca.
Sempre a caixinha ante mim anti-eu longe de mim.
Insolúvel solução com problemas, sem problemas, ligo a televisão...
Conforto, desconforto, drogas, droga!
Polyana leis de Murphy antipetismo #lulalivre Lula preso é #lulavivo?
Atravesso a rua no sinal
"Atravesso a Rebouças sem olhar para lado algum".
Tomar pílula azul
Ânsia, ansiedade, ansiolítica... e a puta dor de barriga.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

BRAZIL: SÉCULO XXI PARADO


ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE...
Marina da Silva

Lembro-me como se fosse hoje, o nó na garganta, uma coisa esquisita revirando meu estômago, um sentimento inexplicável, dilacerante que me veio ao ler uma poesia, se não me falha a memória, de Bandeira, um canto de indignação, consternação e perplexidade ao ver um bicho estranho revirar o lixo, fuçar e comer coisas do lixo e constatar que aquilo, o bicho, na verdade era um homem.
Nunca mais fui capaz de ler tal poesia e nunca mais a esqueci. Era pesada, sombria demais para uma menina quase adolescente que vivia na lua. Minha alma ficou marcada para sempre e um medo terrível de ser transformada assim, de homem em bicho me acompanha pela vida.
Mas não o medo das ausências materiais, medo de viver no e do lixo como  atualmente vivem milhões de homens, mulheres, idosos, crianças, grávidas espalhados pelos quatros  cantos do mundo. Sem dignidade, marginalizados, vivendo espúria e precariamente, salvando o planeta catando, comendo, reciclando lixo e perdendo a cada segundo sua humanidade; as potencialidades humanas travadas, impedidas, roubadas na exploração predatória da ditadura capitalista.
Milhões e milhões de seres humanos relegados à extrema miséria num mundo onde o poder, o potencial humano rebrilha de forma inimaginável.
Nunca o homem foi tão grande, nunca a capacidade humana foi tão exponencial, nunca as forças essenciais humanas foram tão refulgentes como na atualidade, mas também nunca a miserabilidade, a desumanização do ser do homem atingiu proporções tão gigantescas, grotescas, bizarras e escatológicas.
O mesmo ser que produz riquezas materiais impensáveis trinta anos atrás produz arrasando o humano, a humanidade dos homens, transformando-os em seres inqualificáveis, inferiores até mesmo aos bichos.
Homens que para garantir a mera sobrevivência e acima de tudo a dignidade e a honra de permanecer na espécie humana se sujeitam à condições de  trabalho desumanas, escravo de relações abjetas que garantam a reprodução cada vez maior, intensa, global de um mundo de valores invertidos.
Um mundo produtor de mercadorias cada vez mais sem sentido de uso, de utilidade e corrosiva e degeneradora dos valores humanos e da busca por uma humanidade outra em que a lógica da produção não destrua sua principal razão de existência: o ser humano.