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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

BRAZIL: SE DEUS É BRASILEIRO...por quê não?

O PAPA BRASILEIRO
Sérgio Antunes de Freitas
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Sabe-se lá as razões políticas e eclesiais que levaram os cardeais a se decidirem por este desfecho. Só os historiadores descobrirão no futuro.
Certo é que a fumaça branca saiu da chaminé do Vaticano e o Cardeal protodiácono, da sacada da Basílica de São Pedro, anunciou: “Habemus Papam”.

Para a surpresa de todo o mundo, foi apresentado o Cardeal Evaristo Ferreira, nascido no Brasil, na cidade de Pichanatuba, filho de seu Jeremias e Dona Leó, como o novo Pontífice, passando a se chamar Raimundo Nonato I. Ele havia prestado serviços eclesiásticos na Paróòquia de Sant Ramon Nonat, em Barcelona, onde se tornou devoto do Santo que lhe deu a denominação.

De imediato, as redes brasileiras de televisão suspenderam toda a programação normal e passaram a informar os detalhes do tão sonhado acontecimento pelos católicos brasileiros.
Uma delas criou uma vinheta e a repetia de quarto em quarto de hora. Mostrava o novo sucessor de São Pedro chegando à varandinha da Basílica em câmera lenta e, quando era focado seu rosto, surgia o grito: Brasiiiiiil, seguido do Hino da Vitória. E o Papa acenava para a multidão!
As carolas se ajoelhavam à frente do aparelho de TV, se benzendo, sorrindo, tremendo, chorando e apertando os rosários contra o peito, demonstrando a fé incontida.
Poucas horas depois do anúncio, a cidade natal do escolhido estava repleta de repórteres.
Aproveitando a presença das emissoras, o repentista mais famoso da região, Tião Boca de Assovio, saiu para a rua com a sua viola enfeitada, prenunciando:
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Pichanatuba está em festa;
Uma alegria enorme;
Três dias que ninguém dorme;
E a farra não se encerra;
Pois um filho desta terra
É papa urbi et orbi.

Os jornalistas corriam pela cidade, garimpando entrevistas. Um encontrou a primeira namorada do jovem Evaristinho, antes de sua decisão pelo celibato. Enquanto preparava a cena, o microfone ficou aberto e transmitiu a conversa de dois moleques:
- Se ela tivesse casado com ele, hoje ela seria a muié do Papa!
- Larga de ser burro, Josué. Padre e Papa não têm muié.
- Não? Então como é que eles faz fio?
Descobriram praticamente tudo sobre o passado do Santo Padre, doenças infantis, suas cores prediletas e suas comidas preferidas.
Isso quase causou um incidente diplomático internacional!
O Aeroporto Internazionale di Roma encaminhou um ofício ao Governo do Brasil, rogando que não fosse mais permitido o envio de comidas para o Papa. Eram caixas e mais caixas de farinha de puba, farinha de piranha, saputi, açaí, macaúba, seriguela, geleia de jaca mole, feijão de corda, feijão preto, pimenta de cheiro, salsichão, joelho de porco, doce de fio de ovos, jenipapo, pupunha, tudo bem acondicionado em caixas de papelão e sacos de supermercado.
Constava no documento que os cães farejadores de tóxicos, treinados pelos Carabinieri, se negavam a trabalhar em uma determinada ala, pois o local estava empesteado com um forte odor de jatobá. Só com máscaras, davam a entender os cachorros.
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Outro problema foi uma tentativa das escolas de samba em transformar a Praça de São Pedro, por alguns dias, em sambódromo, antecedidas por manifestações culturais de sincretismo religioso, bumba-meu-boi, além de discursos dos Presidentes da Câmara e do Senado.
Quase levaram o Carmelengo ao suicídio!
Meses depois, passada a euforia, começaram a surgir outras histórias.
Em uma cidade do sudeste, havia um rapaz conhecido por Nagibinho, com o mau costume de pedir dinheiro emprestado e não pagar. Depois que colocou a imagem do Santo Padre na carteira, ele quitou todas as suas dívidas e não pediu mais nada pra ninguém.
Foi o primeiro milagre comprovado!
Após muitos outros, agora, era só esperar a morte do Sumo Pontífice, para as novas festas de beatificação e canonização.
E o Tião Boca de Assovio já preparava o seu repente, com a viola enfeitada de laços e fotos do Papa portando auréola:

Nosso beato Mundico,
Vai ser santo, eu acredito.
É puro merecimento!
É história que não tem fim.
Vai ser milagreiro assim
Lá na casa do jumento.

Sérgio Antunes de Freitas
15 de fevereiro de 2013