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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

BRASIL: Êhhhhhhhhhh boi!


O Recenseamento

         
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Zé Pí


Eu fazia o recenseamento rural e visitava todas as propriedades do entorno do meu  município e principalmente a região de Angueretá. Todo o dia descia do ônibus e com o mapinha do IBGE nas mãos, tome caminhada por estradas vicinais, caminhos de gado, travessia de grotões e mato fechado para se chegar às sedes das fazendas e sítios.
Inicialmente, na sola da botina de pregos torturadores, depois na bicicleta do amigo e vizinho Toco. E era um trabalho aparentemente fácil,  mas, era uma via crucis ir de um logradouro para outro.
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Numa dessas aventuras, eu atravessava um pasto e um tourinho bravo, escondido entre as árvores, me apareceu bufando como se me dissesse: Dê o fora, eu não quero ser recenseado.  Eu não questionei, disparei numa carreira louca e quase me rasgo debaixo da cerca de arame farpado.
Um vaqueiro que assistira a cena, conteve o riso por caridade e veio ao meu encontro já com uma pequena vara desgalhada e raspada numa das extremidades. Cumprimentamo-nos como sempre minha mãe recomendava e, com muito jeito, para não me humilhar, sugeriu que eu podia passar no meio de uma boiada, sem nenhum problema, desde que carregasse no ombro aquela varinha muito temida pelos animais e isto se aplicava também aos cachorros, bodes e gansos de terreiro.
                  
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Foi exatamente desse jeito que as coisas foram acontecendo e eu com aquela varinha mágica, determinava onde eu queria passar e se alguém teve de sair da frente correndo, certamente foram eles os bois e as vacas paridas, metidos a valentões.
Fiz meu trabalho e foram os dez salários mínimos mais bem ganhos na minha juventude. Umas mudas de roupas novas, botas de solado a ponto, feitas por Seu Tininho e durante um bom tempo, dez bocas irmãs tiveram paz no espírito e no estômago, pois, como fala o provérbio, no lar onde que falta pão, todos gritam e ninguém tem razão.