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quarta-feira, 22 de julho de 2015

BRAZIL $1,99: A CORRUPÇÃO...

MUNDO $1,99: A CORRUPÇÃO DO CARÁTER HUMANO

Mosaico a partir de www.google.com.br/images. Em 1972 Nixon se "rende", apesar de anti-comunista, às possibilidades capitalistas na China. Nesse ano visita Deng Xiao Ping e Leonid Brejnev derretendo a "Guerra Fria".


Marina da Silva*


Quando no governo de Richard Nixon [1969-1973; 1974(Watergate e renúncia] os Estados Unidos congelaram a “Guerra fria” e abriram a China para o mundo capitalista, leia-se primeiro mundo, foi dada a largada para um retrocesso e perdas inimagináveis de todas as conquistas históricas humanas materiais e espirituais construídas ao longo processo de desenvolvimento da sociabilidade humana.
A Gold Age ou a era de ouro do capitalismo moderno – fase de reconstrução dos países assolados pelas duas Grandes Guerras – agonizava e chegava ao fim nos anos sessenta, século XX. A década seguinte, anos setenta com a crise do petróleo, base energética da indústria, o aumento exponencial da competição pelos mercados com a reconstrução da Europa, Japão (invasão de produtos) e ascensão de novas nações industrializadas, os tigres asiáticos jogaram “a pá de cal” no sistema fordista/taylorista. 
http://www.br.emb-japan.go.jp/cultura/comercio.html "Nos anos 70, a importância das exportações de matérias-primas industriais, como produtos químicos e aço, entrou em declínio, e as exportações de maquinário e eletrônicos aumentaram conforme produtos de valor agregado ganhavam uma ênfase cada vez maior.
A partir dos anos 80 e até o início dos anos 90, houve um rápido aumento das exportações de produtos de tecnologia intensiva – como computadores, semicondutores, eletrônicos de uso comum, ferramentas industriais, máquinas de fax, automóveis e outros meios de transporte."

Produção em massa, massa de trabalhadores, plantas industriais gigantescas, sindicalismo de massa, forte e atuante vão sendo substituídos e adaptando-se à produção enxuta horizontalizada (Toyotismo e variantes) e criando um novo estilo de produzir, novas formas de gerência e relações de trabalho [subcontratação, terceirização, escravidão], dando fim ao sonho de progresso e ascensão social individual verticalizado! Uma fenomenal onda de novas tecnologias e descobertas científicas colocaram em curso uma mudança no caráter da produção: plantas industriais pequenas, uso intensivo da informatização, robotização, mecanização com base na microeletrônica, bioengenharia, etc, aliada à fantástica revolução nos meios de transporte e comunicação e fortalecimento do neoliberalismo (Estado Mínimo, privatizações)  foram solapando as conquistas sociais, enfraquecendo o sindicalismo combativo, o “estado de Bem-estar-social" e criando desemprego tanto pelo fechamento e relocalização industrial dentro da fronteira nacional e mesmo a dispersão geográfica de etapas da produção ou toda produção para países periféricos, leia-se China!
Foto Marina da Silva. Capa do livro. " E eu queria responder a grande pergunta: estaria a China entrando também na sociedade de consumo?" Henfil, 16-07-1977.


Em 1977, um ano após a morte de Mao-Tse-Tung, “o comunista roxo” Henfil chega a China “antes da Coca-Cola”e intuitivamente “sentiu” que havia algo suspeito no ar: um forte discurso ideológico autoritário comunista amparando e dando sustentação a produção capitalista!
Tiro certeiro, Henfil capturou o “espírito da coisa”, um sistema capitalista híbrido, o capitalismo-comunista ou comunismo-capitalista em seu nascedouro. Cerca de duas décadas após a visita histórica de Henfil,  a China entra para a Organização Mundial do Comércio-OMC (1999) oficialmente, pois já dominava o mundo e fabricava a sua própria Coca-cola!
www.google.com.br/images.PIB Estados Unidos 16.768.50; China 9.181.204; Japão 4.898.532 ; Alemanha 3.730.261e Brasil 2.243.854 o quinto maior PIB (Produto Interno Bruto) em 2013.

Um salto de crescimento econômico intergaláctico eleva o dragão chinês, um imenso continente, ao patamar da segunda potência capitalista do planeta nos anos dois mil, século XXI. Todo mundo produz na China, a China é a “fábrica” do mundo e copia e falsifica todo mundo. O resultado? Um tsunami de pirataria, produtos falsificados, genéricos sem a menor responsabilidade com a qualidade das matérias primas, total irresponsabilidade ambiental, uso, abuso e crueldade com os trabalhadores, ops, escravos chineses, atolando o mundo de falsetas! Destaque para a América latina, principalmente para o Brasil que não somente virou um mero repassador de produtos ilegais como também estava produzindo e se tornando o principal vendedor de matérias primas (commodities minerais e agrícolas) e comprador e distribuidor das mercadorias chinesas piratas nos grandes shoppings legais e principalmente ilegais das grandes metrópoles!
Grandes lojas de departamentos  e hipermercados, além de vender produtos nacionais fruto de trabalho escravo (setor de confecções de SP) entulham-se mais e mais com produtos chineses. Lojas Americanas, C&A, Renner, Riachuelo, Zara, Rede Pão de Açúcar, Carrefour, Wal-Mart, Adidas citando alguns exemplos, passaram a vender caríssimo o que compram quase a custo zero: mercadorias feitas com o suor, sangue e vida dos trabalhadores chineses, indianos, tailandeses, vietnamitas, coreanos, brasileiros,etc. 
Mosaico a partir de images google e fotos Marina da Silva (BH-Brasil): Nos Estados Unidos "Tudo por ten dólares(US$10,00); No Reino Unido "Tudo por 99p ninety nine pounds e no Brasil "Tudo a partir de R$1,99"

A grande farra de mercadorias falsetas da China foi protagonizada por lojinhas populares “Tudo por 1,99” que pouco tempo depois trocaram o slogan “A partir de 1,99” e imediatamente se transformaram para “De 1,99 a 99” acompanhando o boom econômico, a descoberta dos mega campos de petróleo e gás da camada pré-sal e o aumento inimaginável da corrupção política e econômica da nação brasileira no atual “maior escândalo de roubo e corrupção” deflagrado pela Polícia Federal na operação Lava-jato! À corrosão e corrupção do caráter da produção se deu simultaneamente a corrosão e corrupção do caráter das pessoas colocando abaixo valores como ética, honra, compromisso, moral, respeito, hombridade, honestidade tanto no modo de produzir mercadorias como produzir e viver a vida humana. Para cada lado que se olhe no primeiro mundo, terceiro mundo, submundo lá estão expostos e à venda os corpos, a alma, a vida de trabalhadores escravizados e muita corrupção e assalto aos cofres públicos.
www.google.com.br/images.Complexo Paraísopolis, encravado num dos mais caro e luxuosos bairro de São Paulo: Morumbi.Como "limpar" os pobres do Morumbi? Grandes eventos e grandes obras públicas no padrão FIFA!

“Tudo que é sólido se desmancha no ar”, a frase profética de Karl Marx sobre a incontrolável e arrasadora força do capital se cristaliza pouco depois do centenário de sua morte! Uma miséria material e principalmente espiritual avassaladora atinge enormes contingentes populacionais pelo mundo imposta e cultivada pela “globalização”. Imensos bolsões de miséria convivem com o luxo e esplendor de riquezas concentradaS em mãos de poucos num mundo de potencialidades humanas inimagináveis! O mundo se divide novamente em dois blocos: consumidores de altíssimo luxo, um seletíssimo e restrito grupo e uma imensa massa de consumidores de falsetas, genéricos, produtos e vida 1,99! Um estilo de vida chulo, de parcas e deprimentes necessidades e aspirações materiais e principalmente espirituais! O caráter, o “ser” de homens e mulheres, a sociedade embotam-se à subsunção do corpo político à ignomínia capitalista, ao roubo descarado  e sua nova ordem mundial!

"A transformação da estrutura do mercado de trabalho teve como paralelo mudanças de igual importância na organização industrial. Por exemplo, a subcontratação organizada abre oportunidades para a formação de pequenos negócios e, em alguns casos, permite que sistemas mais antigos de trabalho doméstico, artesanal familiar (patriarcal) e paternalista ("padrinhos", "patronos", e até estruturas semelhantes da máfia) revivam e floresçam, mas agora como peças centrais, e não apenas apêndices do sistema produtivo. O retorno de formas de produção que envolvem exploração em cidades como Nova Iorque, Los Angeles, e Londres se tornou objeto de comentários na metade dos anos 70 e proliferou, em vez de diminuir, na década de 80. O rápido crescimento de economias "negras", "informais" ou subterrâneas" também tem sido documentado em todo o mundo capitalista avançado, levando alguns a detectar uma crescente convergência entre sistemas de trabalho "terceiromundistas" e capitalistas avançados." David Harvey in Condição pós-moderna, 1989; grifos meus



Rebaixados, desempregados, subempregados, terceirizados, precarizados, a renda limitada a acordar vivo no dia seguinte, necessidades espirituais e materiais reduzidas ao estado mínimo da sobrevivência chegamos ao século XXI no Life Style 1,99**, limitados, escravizados espiritualmente, corrompidos. Um estado naturalizado e banalizado nos países terceiro-mundistas que após a “Crise sub-prime em 2008 é instituído sem dó nem piedade, a ferro e fogo pelo Fundo Monetário Internacional ao Primeiro mundo capitalista.

http://imediata.org/?p=2551"Grécia – cobaia para o massacre social europeu – para sair da crise, trabalhem como escravos"

Muito pouco ou quase nada importa aos povos subdesenvolvidos terceiro-mundistas classificados como “bananas e vira-latas” pelo primeiro mundo aceitar a enganação, falsificação e corrupção dos produtos chineses em seus países de origem ou comprá-la nas feiras de importados nos Estados Unidos e Europa, mas é aviltante e humilha e dói aos povos que experimentaram com muito suor, trabalho duro e sangue em muitas guerras um “estado de bem-estar e renda invejáveis" ter que se submeter às intrusões, ingerências do FMI na economia e soberania nacionais dentro da Zona do Euro.


www.google.com.br/images.

A corrupção de ideais nobres, da moral, ética, honra em prol da super especulação financeiras da “Crise financeira mundial” que implodiu a economia de países como Portugal, Espanha, Itália, Grécia e a super exploração de povos escravizados e dos próprios nativos precarizados em prol das jogatinas financeiras e altas taxas de lucro para poucos capitalistas tornou o primeiro mundo num imenso barril de pólvora de pavio curto!
www.google.com.br/images. Crise do Euro, 2011.

 September Eleven 2001 Estados Unidos; Paris em Chamas 2005; ataques terroristas a Londres, a crise especulativa de 2008 com epicentro nos EUA e que devastou a zona do euro em 2011; os movimentos Occupy Wall Street; marchas contra corrupção; marchas contra o FMI, ascensão do Estado Islâmico e ataques terroristas, recrudescimento da xenofobia, os crimes raciais, aumento da pobreza e miséria de milhões de pessoas, etc, etc e tal também em marcha acelerada. Eis o “Day after” da reorientação capitalista neoliberal do último quartel do século XX em curso, mas...este é tema para um próximo artigo!

*Olá amigos do blog Marina da Silva: estive passando uns perrengues e como tenho limitações e dores no braço e mama D dei um "espação" nas minhas publicações. Agora volto com tudo, pelo menos um artigo quinzenal e quem sabe semanal. Obrigada pela paciência! Marina.

** Life Style 1.99 é uma expressão cunhada por mim na tentativa de apreender e entender um mínimo do atual fenômeno de apropriação e expropriação capitalista em todo o mundo!