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sexta-feira, 31 de maio de 2013

BRAZIL: O SUMIÇO DA CUECA!

O MISTÉRIO DO GANCHINHO

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Sérgio Antunes de Freitas

Meu amigo me telefonou, depois de muito tempo sem notícias, dizendo que precisava muito desabafar.
Marcamos o encontro em um boteco tradicional. Na hora combinada, estávamos lá, com aquela alegria de homens, manifesta em apertos de mãos, abraços e palavrões aprendidos nos tempos de moleques. Se é que esse tempo passou!
Depois dos pedidos e das conversas iniciais sobre saúde, futebol etc., principalmente etc., ele explicou a causa de sua agonia.
- Minha cueca sumiu e eu não consigo encontrar em lugar nenhum.
Analisei, sorrindo: - Nossa! Conta pra mim como foi essa farra boa. E eu que te achava meio jacu!
- Não houve farra nenhuma! Minha cueca, simplesmente, desapareceu, sem deixar pistas.
- Espera. Você está sem cueca? – eu protestei. Se tiver, eu vou me levantar daqui e vou embora, pois o pai de um grande amigo dizia que um homem sem cueca não é homem. E eu concordo com essa afirmação. Você está traindo este seu ex-amigo com falsidade ideológica.
- Claro que estou de cueca. Que ver?
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- Só se for com sete testemunhas, sendo, no mínimo, três maiores de idade.
- O que aconteceu foi um fato anormal – ele voltou à seriedade. Eu tenho o costume de lavar minha cueca durante o banho, pendurar no ganchinho do box, para, depois, levar para a secagem na área de serviço. Porém, depois do banho, me esqueci de pegá-la.
No dia seguinte, eu me lembrei da esquecida e fui buscar. Quando cheguei ao banheiro... cadê cueca? Cueca su-miu!
- Elementar, meu caro... “What-son?” Alguém recolheu – afirmei, usando meu senso de investigação policial.
- Claro! Mas nesse banheiro de nossa suíte de casal, só quem entra sou eu, minha esposa e a empregada. E ambas me garantiram que não levaram nenhuma peça de roupa do banheiro nesses dois dias; isso após farto interrogatório.
- Sei como é – continuei zoando. Na idade em que você está, com atividades cerebrais em decadência, você levou a cueca embora e não se lembra. Ou será que você a colocou na cabeça, achando que era aquele boné com as orelhas do Mickey, comprado na Disney, foi caminhar e perdeu no parque?
- Não brinca, não! A coisa é séria.
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- Tudo bem! Você contou essa história pra alguém?
- Não, Por quê?
- Então, não conta, senão vai ter peregrinação religiosa na sua suíte.
- Meu amigo – ele demonstrava revolta - eu já revirei o apartamento...
- Mas qual a importância dessa peça?- interferi. Mesmo que seja cara, não pesa no seu alto salário. Por que essa ligação afetiva? Vamos começar pela cor. Lilás? Cor de rosa? Salmão? Tinha lantejoulas?
- Era preta, pombas! Como todas as cuecas que eu uso.
- Está explicado. Ela está junto das outras e você não consegue discernir.
- Não, ela tinha uma fina listra amarela na lateral. Inconfundível.
Mudei de assunto, até para que ele se acalmasse.
Conversa vai, conversa vem, conversa fica, futebol, saúde, novidades profissionais, filosofia, religião, mais etc., e ele resmungou alto: - Não é possível! Onde foi parar aquela cueca?
Cheguei ao meu limite do papel de psicanalista e questionei: - Mas que diabos tinha essa cueca de tão especial, a ponto de você apresentar um desgaste emocional tão forte e, acima de tudo, tomar meu precioso tempo com assunto tão chinfrim  maculando meu chopp gelado?
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Foi aí que ele me olhou com olhar de criança carente e desabafou.
- Aí está o problema! Meu receio é que alguém a tenha levado por engano do banheiro, achando que era dele.

Sérgio Antunes de Freitas
26 de maio de 2013