Postagens populares

Pesquisar este blog

Carregando...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Brazil: com amor para Cidinha

A visita

Zé Pi


Ao decolar pela primeira vez, aquela maquininha de voar, delicada, de fuselagem arredondada e bico fino, teve problemas de ganho de altitude e acabou fazendo um pouso forçado na área privativa do imóvel mais próximo, especificamente sobre o vaso de Scullenta que a Margot ganhou do cunhadão alemão.
Depois do susto, a lindinha deu umas voltas de reconhecimento da região e subiu no pé de azaléia, depois no galho de gerânio e pressentindo a presença do dono do pedaço, ou melhor, de alguém que se acha o dono, ela fugiu e se escondeu debaixo do pé de Maria-sem-vergonha. Sem nenhuma maldade, aquele focinho gelado queria apenas cheirá-la.
 Ela voltou para a segurança da Scullenta até que, antes de cair um toró, alguém do tipo gente a descobrisse e oferecesse um hangar descente, com água e canjiquinha. Todos os moradores do imóvel quiseram conhecer e batizar a recém chegada; muitas sugestões de nomes, mas, o nome que pegou mesmo foi Cidinha.
Sentindo que era bem vinda, a moça passou a freqüentar o “quartin”, a área de serviço, a cozinha e até debaixo das camas.
Um dia, sem nenhuma despedida, sem deixar bilhete de partida, sumiu, talvez, já fortinha e desejada por machos de sua espécie, alçou o segundo vôo, agora muito bem sucedido.
Todos entendemos o instinto natural da visitante e sempre olhávamos se no meio de algum bando a Cidinha estivesse feliz. Uns seis dias depois, olha a surpresa! Cidinha, toda faceira, pousou no pé de Ora pro nobis e eu juro que ela sorria; não se assustou diante da minha mãozona carinhosa e todos comemoramos seu regresso.
É...Ela veio agradecer a primeira acolhida, seguindo a boa educação recebida da mamãe e no dia seguinte, depois do almoço de canjiquinha, partiu.
 Sei que esses bichinhos vivem pouco e na cidade grande e poluída, bebem água podre, comem lixo e são parasitadas por piolhos, carrapatos e vermes ou viram almoço de gavião pinhém.
Cidinha se foi há meses, mas permanece nas nossas lembranças; pelo menos na minha lembrança de padrinho zeloso.