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sábado, 2 de junho de 2012

POLÍTICO? PUTZ... GRILO!


GRILO POLÍTICO
Sérgio Antunes de Freitas

 
www.google.com.br/images

Ontem, quando me dei pela situação, quase de madrugada, só eu estava acordado em casa.
Eu via um jornal na televisão, no qual aparecia um deputado federal discursando na tribuna da Câmara. Era aquela ladainha costumeira, demagógica, destituída de qualquer novidade ou verdade. Do ponto de vista sonoro, nenhuma harmonia e aquele rítmo tradicionalmente pobre.
Desliguei o aparelho, fechei portas e janelas, como de costume, e fui me deitar placidamente.
Já deitado, ouvi a cantiga de um grilo. Ele deveria estar justamente na sala, pela proximidade do ruído.
De primeira, veio uma piadinha previsível na minha cabeça: - Será que eu me esqueci de desligar a televisão?
Ora! São sons da natureza, pensei depois. Eu não teria o desplante de me levantar e matar um inseto indefeso, só por que ele estava me incomodando um pouquinho.
Tentei me abstrair do barulho e dormir simplesmente.
Alguns minutos depois, veio a dúvida: - O silêncio da noite está tornando o ruído mais audível ou o grilo se empolgou? Será que chegaram outros grilos apoiadores na platéia?
Levantei-me da cama e fui à sala, não para matar o bichinho, mas para espantá-lo ou colocá-lo para fora de casa sem ferimentos.
Aí, ele se calou, o que é lógico, quando um perigo se aproxima dessas criaturas pequenas.
Procurei o orador e não o encontrei em lugar algum.
Votei com o relator e voltei para a cama. E ele voltou a guizalhar.
É! É assim que se diz do som estridente emitido pelos grilos ou cigarras. Talvez, também, parlamentares!
Já era uma hora da manhã e eu comecei a me preocupar com a relação entre tempo de sono e disposição matinal. Pôxa, eu pago meus impostos corretamente e ainda tenho que ouvir isso?
O grilo não parava. Voltei para a sala e ele voltou a se omitir, em uma atitude que considerei rasteira, sem nobreza, sem dignidade, ferindo o decoro.
Meio que perdi o sono e fiquei procurando o inseto, também no sentido de insignificante, desprezível, como são alguns indivíduos depois que se elegem.
Assim como a maioria do povo brasileiro, ninguém da família havia acordado. Só eu que não descansava.
Duas horas da manhã, o despertador fantasiado de bomba-relógio, e eu retornei à cama, sempre esperançoso, sem desistir nunca.
Como dizia a poesia, veio um profundo silêncio. Entrei no segundo estágio do sono, em direção ao décimo-quinto.
Pensamentos desconexos, imagens sem significado, relaxamento total e cri-cri-cri...
- Agora, esse grilo intratável pulou o “corguinho”! Eu vou matá-lo. Arrasto todos os móveis da sala, acordo todo mundo no edifício, enfrento o síndico, a associação de defesa dos animais, a polícia florestal, a vigilância do Congresso, o exército do Vaticano, mas extermino esse nojento.
Claro, o marginal se fez de morto, mais uma vez!
Lamentei minha ignorância. Se eu tivesse estudado mais, conheceria a filosofia e o comportamento desse ortóptero infeliz, podendo, assim, enfrentá-lo com mais recursos. Talvez abrindo a porta certa que o induzisse a sumir. Talvez produzindo um ruído ou perfume que o confundisse e o levasse à meditaçao em silêncio.
Acabei acertando, sem querer. Dormi no sofá, com a luz acesa, porém com o merecido silêncio dos bons. E o grilo caladinho, como se tivesse viajado para visitar suas bases. Covarde!
Acordei sonado, mas ainda olhei nos cantos da sala, para ver se encontrava o transgressor em algum gabinete.
Tudo bem! Dessa vez, ele escapou. Mas se a coisa se repetir, vou encontrá-lo e fazer com ele exatamente e sadicamente aquilo que tenho vontade de fazer com os corruptos de nossa República.