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sábado, 23 de junho de 2012

BRAZIL. "C" WORLD and LIFE STYLE 1.99


CHINA: QUEM TEM MEDO DO LOBO MAO?

Marina da Silva
www.google.com.br/images. 

Foi-se o tempo em que o Maoismo – Mao-Tsé-Tung, seu livro vermelho, foice, martelo e estrelinha, símbolos da revolução comunista chinesa - metia medo ao mundo. Tudo mudou! As muralhas, máscaras e falácias socialistas/comunistas caíram e o capitalismo entrou numa fase de acumulação flexível, globalizada, sem dieta e em qualquer regime!
_ Você vai a China? China? China comunista? Perguntavam perplexos os amigos e familiares de Henfil que se preparava para essa intrépida viagem vermelha, em julho de 1977, “antes da coca-cola”.
“Se eu não morresse lá, de lavagem cerebral, morreria aqui da cirurgia para extirpar o vírus comunista que eu traria nos meus cabelos, roupas e principalmente na ALMA”! Brinca Henfil.
www.google.com.br/images Com ou sem Coca-Cola os chineses ainda padecem voluntária ou voluntariamente forçados do PODER vermelho do grande MAO!

Os brasileiros pastavam com as bestas fardadas em anos de chumbo grosso (1964-84) e os chineses choravam Mao, 28 anos depois da revolução cultural comunista. Henfil era curiosíssimo e queria saber se “estaria a China entrando também na sociedade de consumo” ou eram realmente, comunistas roxos, ops, vermelhos! Henfil ficou pasmo com muitas coisas e as relata: “(Pequim toda é um bosque) e tem uma dezena de prédios”.


www.google.com.br/images. Pequim depois da Coca-Cola! Vista da Cidade Proibida residência de imperadores transformada em Palácio  Museu localizada no centro da moderníssima Pequim século XXI!

Ciquenta e cinco etnias, a maioria Han, a China em 1977 possuía cerca de 900 milhões de habitantes “que andavam a pé ou de bicicleta”, usavam “camisas, brancas largas, calças cinzas, sandálias de plástico com meias. Sempre a mesma cara, trabalham duro todo dia. Não tem domingo, não tem feriado” a maioria dos trabalhadores são mulheres. Enfim, completa Henfil: nos mostraram exatamente como estão. Um país pobre, de camponeses (êxodo urbano forçado) que tinham três missões: “estudar a teoria do proletariado; por ordem e unidade na China; elevar a economia nacional”. Algo incomoda Henfil, o peso da ideologização sobre as massas, a massificação imposta pelo “trabalho de reprodução massificado, nota-se um enorme tédio e uma grande desmotivação nos “artistas”.


www.google.com.br/images. 1bilhão e 300 milhões de habitantes,  a economia chinesa, um híbrido do capitalismo sustentável flexível global, floresce  sob os pilares - leia-se,voluntarismo e terrorismo ideológico  que expropria e explora chineses -  vermelhos!

“A massa participa ativamente da massificação. (...) e é inclusive faca de dois gumes. Como participa ativamente, a massa pode resolver massificar a sua maneira ou, mais louco ainda, a massa pode assumir o comando da massificação”.
Toda a produção é voltada para a exportação. Para ele e muitos outros a China estava “ocupada” com o seu umbigo” e sem pretensões imperialistas, jamais  “partirá para uma invasão no exterior. O perigo amarelo [nem vermelho] existe! Todos os planos são para a conquista da China”.
www.google.com.br/images. Quem tem medo da China?

Henfil percebeu, mas não apreendeu a complexidade e a enormidade do fenômeno da massificação na produção maoísta, através da mais poderosa e tenebrosa arma: o voluntarismo ideológico e/ou autoritário que vai transformar a China, umas três décadas depois, na segunda economia e potência capitalista-comunista mais importante e poderosa do novo século! A China que era auto-suficiente; geoeconômica e geopoliticamente estava se preparando para o século XXI! Trabalho duríssimo, voluntarismo, ideologização das massas, culto ao partido, ao “grande pai”, controle da massa pela massa, autoritarismo, massificação da produção: um imenso, gigantesco exército de soldadinhos vermelhos muito ocupados com seu mundinho vermelho! 
www.google.com.br/images.  Da China para o mundo: todos os capitalistas do mundo inteiro tem um pé na China: de sapatos a  submarino nuclear tudo é Made in China!


Henfil realmente estava correto: os chineses não invadiriam o mundo; não da forma tradicional: ocupação territorial física pelo exército vermelho. O que se viu a partir do final dos anos 90 com a abertura aos capitalistas estrangeiros foi o imperialismo dos produtos do mundo inteiro made in China e logicamente os produtos de todo mundo falsificados, pirateados pela China e vendidos ao mundo inteiro! Mas como isso se deu?
Capitalismo em crise desde os anos sessenta - fim da chamada Gold Age-; queda global das taxas de lucro, as potências capitalistas (EUA e Europa) dão uma guinada neoliberal fundamentada numa sensacional revolução científico-tecnológica que permitiu, entre muitas outras coisas, a fragmentação e dispersão geográfica de parte do processo produtivo e mesmo de todo o processo de produção para regiões de vastíssima mão-de-obra barata/escrava, abundância de matéria-primas e muitos benefícios fiscais de várias nações, especialmente para China e Índia. A Coca-cola chegou à China e o mundo nunca mais foi o mesmo! O imperialismo chinês trouxe ao planeta uma nova forma de vida: o life style 1.99, um mundo genérico, pirata, corrompido e falseta!
www.google.com.br/images. Coca-Cola  na China? PODE SER...refrigereco!

“Ensinaram os chineses a andar com seus próprios esforços na agricultura, indústria, etc. Mas, devido à propaganda, o chinês só não anda com seus próprios pés na criação intelectual”. Tudo que é sólido se desmancha no ar é traduzido em tudo o que é original pode ser falsificado, pirateado! O lema chinês cristalizou a máxima ocupar, copiar, reproduzir e colonizar os mercados com produtos feitos na China! Em 2011, atolada em grave crise financeira que teve seu epicentro nos Estados Unidos em setembro de 2008, a União Européia exclamava pasma e passada: The chinese are coming!  Quando na realidade os chineses já estavam ocupando o mundo, Europa inclusa, desde o alvorecer do século XXI!
Paris. 2007. Vista do largo de Sacre Couer dominado por falsetas vendidas por imigrantes africanos, principalmente bolsas Chanel, D&G, Gucci e outras marcas famosas! Paris genérica foi minha maior decepção!

Veneza 2007.
Fotos Marina da Silva. Europa Ago/Out.2007: os economistas e cientistas políticos  europeus "não sabiam", mas a China já estava cumprindo uma duas etapas ou mais de colonização 1.99. Minha "visita"  descobriu o Life style em Roma, Amsterdã, Frankfurt, Bruges, Madri, Londres e até na visitinha a sua santidade no Vaticano! Dezenas de Chinesas vendendo uma espécie de cachecol na fila de entrada ao Vaticano. Voltei da Europa...passada!

Em 2009, enquanto o primeiro mundo em crise perguntava: o que os chineses querem nas Américas, a China já era o maior parceiro econômico da América latina desbancando Estados Unidos e União Européia. A invasão chinesa já completara uma década e entrava em nova fase de ocupação em 2010: grandes inversões diretas na Argentina, Colômbia, Peru,Chile e especialmente no gigante Brasil! O mundo abre os olhos no final da primeira década do novo século e dá de cara com uma China de 1 bilhão e 300 milhões de habitantes e uma nova etapa amarela de colonização (inversões bilionárias diretas) em franco desenvolvimento em todo o planeta!
www.google.com.br/images. Espaço vital para sustentar o magnífico crescimento chinês, o Brazil afeta a geoeconomia e geopolítica mundial deixando o país  ao deus-dará (sob o comando chinês) a ordem e o progresso! Essa aproximação carnal com o dragão vermelho é um dos responsáveis pela sustentação política da esquerda ou governança (promiscuidade partidária e altos índices de corrupção) e criação da classe média de A a Z (destaque para as classes Cde)!


"Minas Gerais recebeu diretamente cerca de R$ 15,7 bilhões (US$ 10 bilhões) de investimentos de empresas chinesas entre 2003 e janeiro de 2011. (...)No total, o empresariado chinês injetou no Brasil, neste período, R$ 58,3 bilhões (US$ 37,1 bilhões), totalizando 86 operações em novos negócios ou fusões e aquisições (...) O especialista em comércio internacional da Faculdade Ibmec, Eduardo Senra Coutinho, avalia que a presença chinesa no Brasil, via investimentos, ocorre em função da junção de dois fatores: a atividade empresarial chinesa está capitalizada e o Brasil, em crescimento, é boa oportunidade de negócios." http://noticias.r7.com/economia/noticias/minas-gerais-atrai-quase-um-terco-do-investimento-chines-no-brasil-20110415.html


Imersos em profunda crise -que teve seu epicentro em 2008 com a implosão da economia dos Estados Unidos- o primeiro mundo (EUA e UE_União Européia) pagam com as vidas, trabalho, empobrecimento, sangue e suor de seus cidadãos imensas dívidas vindas da especulação financeira que transformou o mundo num imenso e volátil cassino!
O custo da "globalização" made in China e a adoção do Life Style 1.99 são os crescentes ataques xenofóbicos, manifestações violentas contra as medidas estabilizadoras (que salvam capitalistas e penalizam a população); a ingerência inimaginável do FMI na Europa, explosões sociais, greves, terrorismo e recrudescimento do neonazismo, etc e tal também!
www.google.com.br/images.  Crise? De oportunismo e oportunidades geoestratégicas e geopolíticas. Enquanto a população paga o pato tem "gente" lucrando alto com a crise na zona do Euro!

Como se sustentar politicamente nesse cenário aterrador? Copiando, pirateando estratégias de países modelos de "democracia genérica, falseta" e sucesso econômico, dentre eles, Brazil e China! A China com créditos verdes (bilhões de dólares) e produtos 1.99; o Brazil com sua política populista, clientelista do Grande Pai/Mãe (bolsa-esmola, sub-investimento  em políticas sociais na saúde, educação, segurança e o escambal)  de sinergia e governança no novo modelo de capitalismo CO-responsável ou socialismo possível (mera pregação ideológica). E o lobo MAO? Seus filhotes trocaram o vermelho comunista/socialista pelo rosa e branco paz e amor, jogaram no lixo a estrela, foice, martelo e livro vermelho e vivem comodamente o capitalismo co-responsável, onde o ESTADO-empresa é a chave da apropriação das riquezas e expropriação dos povos!


 
www.google.com.br/images"Quando o chefe do Departamento de Economia do Deutsche Bank, Norbert Walter, afirmou, em 2005, que «depois de se ter superado o socialismo na RDA» seria necessário «superar o socialismo alemão ocidental» (1) ninguém imaginava que aquele membro destacado do Comité Central dos Católicos Alemães, autor de uma série de livros neoliberais, tais como «Menos Estado, mais mercado», «O Euro no caminho do futuro», não estava só a ameaçar os trabalhadores do seu país mas os povos de toda a UE." Texto original publicado na revista O Militante- Portugal Nº 318 - Mai/Jun 2012 • Internacional