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domingo, 10 de junho de 2012

Brazil:


QUANTO MELHOR...PIOR!
Marina da Silva


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Outro dia assistindo um jornal na TV uma notícia chamou minha atenção: era sobre a qualificação do trabalhador e sua relação com o perfil da força de trabalho na atualidade. A tecla de sempre era o enorme desemprego e a importância de se preparar para o mercado de trabalho.
Que me lembre esse assunto é martelado na cabeça de quem vai se iniciar no mundo do trabalho ou na de quem quer permanecer nele desde os anos noventa.
Então me veio a notícia, dias depois, de uma pesquisa feita em São Paulo pela FEAD cujos resultados demonstram a pressão pela qual o trabalhador vem passando desde então. Os dados são impressionantes e seriam maravilhosos para o país se não estivessem atrelados a uma fatalidade: o chamado desemprego estrutural.
Em São Paulo, relata a pesquisa, 80% dos jovens entre 18-24 anos possuem o ensino médio completo e os 20% restante tem curso superior ou estão a meio caminho andado. É um sonho... que está se tornando um pesadelo!
E ao comentar com uma amiga sobre a pesquisa e as oportunidades de emprego, ela desolada contou-me um fato interessante que ocorreu com seu filho que acabou de completar vinte um anos.
Ganhando muito pouco como auxiliar administrativo na prefeitura de Contagem/MG e necessitando aumentar a renda para pagar a faculdade particular ali ao lado em Betim, o menino resolveu se candidatar a uma vaga de peão na Fiat.
A mãe conseguiu, ao seu modo de ver, uma boa indicação no setor administrativo. Ajudei a preparar o currículo que ficou dentro dos moldes ABNT: claro, objetivo, enxuto e com informações essenciais e relevantes como segundo grau completo, graduando em educação física, experiência como auxiliar de serviços gerais numa fábrica de colchão, auxiliar de serviços administrativos na prefeitura de Contagem, um pouco de inglês e informática.
O serviço era para peão, chão de fábrica e a Fiat sempre trabalhou com indicação. O emprego de peão, salário superior ao de funcionário público, parecia garantido.
Dia da entrevista, o rapaz arrumou-se todo, xirque nos úrtimos! Camiseta delineando o peitão “mamãe sou forte”, jeans, tênis pirata descolado, uma pasta contendo documentos.
Logo ao entrar na sala de espera o garoto reparou duas coisas: ele era o único jovem e que não tinha cara de peão.
Na sala lotada, homens mais velhos usando trajes simples, rústicos, bolsa sansonite falsificada, provavelmente com o marmitão dentro, botinas velhas, enfim, prontos para encarar o batente no chão da fábrica naquele momento.
_ Vejo que você tem um ótimo currículo...
_ Está quase formado, tem aspirações de subir na vida?
_ Espera crescer, ter reconhecimento?
_Quer continuar estudando? Espera melhorar depois de formado?
Inocente, o menino balançou a cabeça afirmativo para tudo.
_ Nós entraremos em contato...
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Após um mês e pouco a mãe estranhou a demora. Não era um emprego daqueles, mas de peão de chão de fábrica, trabalho pesado, duro, começando de baixo. Resolveu ligar para o conhecido.
_ O problema é que ele é muito qualificado... O serviço é para peão... A firma vai investir em treinamento e espera que o funcionário permaneça na fábrica. Ele é muito jovem, pode querer um emprego melhor...
_ Você acredita! Ele não foi escolhido porque era jovem e muito qualificado!
_ E aí?
_ Eu esperei até ele arrumar um bico para dar a notícia senão ele desanimava, ia se sentir por baixo e ainda descobri outra coisa – contou-me abismada. – Meu contato o prejudicou por ser lá de cima, do administrativo. Para a vaga de peão quem tem que indicar é outro peão.
O rapaz ao receber a notícia quase dois meses depois, olhou para mãe com um sentimento estranho: o que para ele sempre indicou futuro, sucesso, carreira trouxe-lhe um sentimento de fracasso.
_ Mas agora que sei disso, você vai ver, nunca mais ponho segundo grau completo!
 
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