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quarta-feira, 17 de maio de 2017

ORDEM MUNDIAL: LIFESTYLE $1,99.Corrosão e corrupção do caráter da sociabilidade humana

ORDEM MUNDIAL $1,99: O PRINCÍPIO BÁSICO DA ECONOMIA CAPITALISTA


Marina da Silva

“Ocupar, resistir e produzir”, qualquer pessoa bem informada sabe que este é o principio básico do MST- Movimento dos Sem-terra do Brasil. Você pensou que era o princípio da economia capitalista? Aff.
O princípio ou fundamento basilar da economia de mercado ou capitalismo é “Ocupar, invadir, tomar o mercado alheio”, formando trustes e cartéis barateando os custos da produção (mão-de-obra, matérias-primas e maquinarias) e...AUMENTAR OS PREÇOS!
Lucro máximo com o mínimo de gastos! Uma aula no mundo real aplicada ao “primeiro mundo ou economias capitalistas do centro” e no “terceiro mundo ou periferia (resto do mundo)”, Brasil incluso, por ninguém menos que a China! Hã?
Foto Marina da Silva. Livro de cabeceira.

Engana-se quem pensa que a “precarização, corrupção e corrosão da vida humana”, o que chamo "Lifestyle $1,99" (fase da "acumulação flexível de capitais) começou neste século XXI e no Brasil.
Voltando à História, período pós Segunda Guerra Mundial (1939-1945) que vitimou cerca de 50 milhões de seres humanos, uma nova ordem mundial dominada pelos EUA- Estados Unido foi estabelecida. Era preciso reconstruir as nações aliadas ou não, devastadas e falidas pela terrível guerra e tudo se deu sob a batuta e capital de Tio Sam, através do plano Marshall, que não apenas capitalizou as economias como estabeleceu e expandiu nelas o modo de produção fordista/taylorista.
O mundo se dividiu em blocos: países capitalistas liderados pelos Estados Unidos; países comunistas liderados pela URSS-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (Rússia) e países não-alinhados!
Gold Age, ficou assim conhecida a era de prosperidade do pós Segunda Guerra Mundial: crescimento econômico e desenvolvimento social, pleno emprego, Estado de Bem-estar Social (Welfare state), fortalecimento das classes médias, da produção de massa, consumo de massa, sindicalismo de massa extremamente forte, combativo, reivindicativo (jornada, salários, condições de trabalho salubres, participação nos lucros, direitos sociais trabalhistas, regulação do trabalho de mulheres e crianças, etc.).
Reconstruídas, as nações capitalistas “avançadas” se expandiram para a “periferia subdesenvolvida”, movimento de transnacionalização.


Resultado de imagem para a historia da poluição do ar de cubatão
http://www.pensamentoverde.com.br/atitude/historia-poluicao-cubatao-cidade-deixou-vale-morte/. CUBATÃO. Transferência suja de indústrias poluidoras. "A construção delas aconteceu de forma indevida e invasiva ao meio ambiente. Em 15 anos cerca de 60 Km² de Mata Atlântica havia sofrido a degradação, formando uma clareira que podia ser vista por quem descesse a Serra do Mar. Contudo, os governantes da cidade, assim como os empresários, não se preocupavam em reverter a situação, uma vez que a poluição de Cubatão rendia bilhões ao ano, levando a cidade a ser uma das cinco maiores arrecadadoras de impostos do estado, cerca de 76 bilhões de cruzeiros. O município representava 2% de toda a exportação do país."





O Brasil, além de celeiro do mundo, pulmão do mundo, fornecedor de matérias primas de baixo valor agregado virou hospedeiro de indústrias sujas (química, petroquímica, siderúrgicas, metalúrgicas) altamente poluidoras, periculosas, insalubres e perigosas para os humanos e natureza (fauna, flora, contaminação do solo, lençóis freáticos, rios, lagos, mares) e atmosfera; e da "revolução verde", uso intensivo de pesticidas, herbicidas e muitos outros agrotóxicos.
A cidade de Cubatão, o vale da morte, é uma cicatriz histórica do milagre brasileiro econômico da ditadura militar e do endividamento externo e ingerência do Fundo Monetário Internacional no país.


Resultados da transnacionalização: A transnacionalização da economia e da produção industrial provocou uma dependência maior dos países para com as nações mais ricas. Os espaços econômicos nacionais foram modificados, de acordo com os interesses das empresas multinacionais. Isso causou uma revolução na economia mundial e trouxe certa instabilidade para os sistemas de produção local. De forma resumida, é possível dizer que o processo gerou uma internacionalização da produção capitalista. O surgimento deste espaço econômico mundial resultou na internacionalização do capital. Neste contexto, os Estados Unidos, os países da Europa, o Japão e algumas outras nações foram bastante beneficiados. A transnacionalização também serviu para consolidar o poder norte-americano no mundo. Em suma, a transnacionalização atingiu o capital, a estrutura geográfica, a economia e, consequentemente, a vida das pessoas. O processo de transnacionalização do capital alterou também todo o contexto trabalhista."http://www.grupoescolar.com/pesquisa/transnacionalizacao.html

As potências dominantes, EUA e URSS [Rússia] trataram de garantir o policiamento e segurança dos seus nichos no pós-guerra: captura literal de cérebros e tecnologias desenvolvidas e em desenvolvimento, principalmente da Alemanha (cientistas, médicos, engenheiros e congêneres) que dominava e investia alto dispondo de altíssimas verbas em pesquisas e também de vidas humanas, meras cobaias em campos de concentração. Americanos e soviéticos
iniciaram uma guerra armamentista (arsenal atômico) e corrida espacial, ordenando, cada um e cada qual, o seu espaço mundial. É guerra...fria!1 



www.google.com.br/images. Henry Kissinger, vivo para ver nascer o país capitalista mais comunista do mundo: China!

Além de suporte econômico, as nações receberam suporte econômico, logístico e armamentos para instaurar ditaduras selvagens e cruéis estimuladas e/ou impostas ao mundo todo. Atrocidades inomináveis foram cometidas contra imensos contingentes populacionais em nome do império capitalista e comunista/socialista em todo o planeta!
"Quem ocupar um território também imporá sobre sobre ele o seu próprio sistema social. Todos imporão seus sistemas até o ponto que seus exércitos alcançarem. As coisas não podem se dar de outra maneira."2 Stálin impôs o sistema de Moscou por toda a Europa Oriental  a partir de 1945. A Alemanha foi dividida em duas por um muro em Berlin.
E como nada dura para sempre e/ou barra e atrapalha a expansão inexorável do capital e seus fundamentos...
A entrada de "novos players" na competição pelo mercado mundial jogou por terra as altíssimas taxas de lucro dando um fim a "era de ouro do capitalismo" ainda ali no final dos anos Cinquenta e seguintes! O Século ficou curto, nas palavras de Eric Hobsbawm! Como recuperar os altos lucros novamente? Existe uma “lei” e foi destrinchada por Karl Marx no volume 1 de “O Capital. Crítica da economia política”.Traduzida neste texto como simplório recurso didático; o lucro vem da "composição/combinação" de duas variáveis: mais-valia absoluta (exploração da mão-de-obra) e mais valia relativa (maquinário, inovações tecnológicas, uso da ciência na indústria). Alterando uma e outra e/ou fazendo uso simultâneo das duas os empresários conseguem  manter uma taxa de lucro razoável entre os competidores que atuam ora como sócios ora como concorrentes. A queda da taxa de lucro é uma tendência e condição permanente do sistema capitalista de produção e  tira o sono  e enchia a vida dos empresários de pesadelos até meados dos anos Oitenta quando o capital saiu da produção e foi para a especulação financeira, mudando a face das crises "cíclicas" do sistema.

Mosaico a partir de www.google.com.br/images. O que é que a China tem?

Voltando aos anos Setenta do século XX...
O histórico encontro entre Richard Nixon presidente dos Estados Unidos e Mao Tse Tung na China em 20-02-19724 é um importante marco histórico, revolucionário, geoestratégico, geopolítico e geoeconômico, mas não exatamente para os norte americanos e soviéticos!

A Casa Branca sabia que parte crucial da viagem era convencer a opinião pública americana que muitos benefícios adviriam do reatamento das relações sino-americanas. Sabia também que o encontro precisava causar uma boa impressão aos seus aliados internacionais, para diminuir a animosidade em torno de sua duvidosa política externa. Washington calculou as variáveis. Henry Kissinger, então Secretário de Estado americano, fez uma visita prévia à China para costurar a retomada das relações, em julho de 1971. Saiu de lá com um convite para Nixon, que prontamente foi à TV comunicar aos americanos que visitaria a China em breve.” (idem)



A China já estabelecera um distanciamento estratégico de Moscou e passara a andar com suas próprias pernas! Ao “Grande Salto à frente”5 de Mao Tse Tung juntou-se uma nova era para a China que a partir de então estava parindo um dragão híbrido: cabeça comunista (ditadura e autoritarismo ideológico sobre a população) e corpo capitalista (um sistema de produção que venceu várias etapas da industrialização recebendo no colo tecnologias avançadas, de ponta). A partir do final dos anos Noventa, a China era muito mais que o maior país em extensão territorial, o mais populoso, o de maior exército do planeta! Ela estava pronta para subir ao pódio e requisitar seu lugar de segunda potência capitalista ultrapassando o PIB - produto interno Bruto dos sete países mais ricos, avançados e industrializados, o G-7: Estados Unidos (number ONE), França, Japão, Alemanha,Canadá, Reino Unido, Itália! Com A Rússia fora do páreo com a onda separatista (Estônia, Letônia, Lituânia), derrocada geral do leste europeu, unificação da Alemanha (queda do muro de Berlin em 1989), a dissolução da URSS é levada à cabo por Mikail Gorbachev (1991).



www.google.com.br/images.

Comunismo-capitalista ou Capitalismo-comunista? Pouco importa e tanto faz, a verdade é que a China aderiu e cumpriu com louvor  está transmutação se “Preparando para o século XXI!”6

Enquanto o dragão chinês não chegava ao “parto ao termo” as potências capitalistas avançadas investiam pesado em tecnologias economizadoras de mão-de-obra, plantas industriais enxutas e relocalização industrial interna e externa para quebrar o sindicalismo organizado, forçar o rebaixamento salarial, contratos de trabalho precário, uso abusivo de imigrantes legais e ilegais e outras artimanhas corroendo e corrompendo o mercado de trabalho! Reestruturação produtiva, globalização, flexibilização, privatizações, externalização (terceirização, subcontratação, trabalho por encomenda, teletrabalho, etc), verticalização da produção são termos que sintetizam a chamada "terceira revolução tecnológica" e o recrudescimento do liberalismo econômico-político a partir do final dos anos Setenta. Uma revolução sem precedentes nos meios de transporte, comunicação, informática, robótica, mecanização com base na microeletrônica, bioengenharia, novas matérias primas e novos nichos de mão-de-obra barata e/ou escrava. As novas formas de produção possibilitaram a dispersão geográfica de etapas ou mesmo de todo o processo produtivo! É “O fim dos empregos. O declínio inevitável dos níveis dos empregos e a redução da força global de trabalho"- declara Jeremy Rifkin em 1994. Na verdade ocorreu sim, um extraordinária redução dos empregos bem pagos para a massa trabalhadora (brancos, machos) dos países do "centro" e para quem Rifikin dedicou um Réquiem para a classe trabalhadora, "O outro lado da emergente tecno-utopia - aquele repleto de vítimas do progresso tecnológico - (...) histórias incidentais de vidas perdidas e sonhos abandonados. Este outro mundo, Rifkin devia considerar, começou com aquele aperto de Mao, ops, mãos entre EUA e China em 1972. Um século curto, um século de guerras, um século de mentiras capitalistas e comunistas camuflando a sede imperialistas das nações (EUA e Rússia), o que Henry Kissinger denomina carinhosamente de ambiguidade entre a missão histórico divina de levar a democracia e os princípios de liberdade (livre mercado) ao "infiéis" e sob o império americano! A mesma missão divina foi concedida à Rússia, Alemanha, Reino Unido, França, Espanha, Portugal, Japão, Roma, Grécia, Egito, Mongólia resumindo para não alongar muito a ascensão e queda dos impérios!

Mosaico a partir de images www.google.com.br e fotos Belo Horizonte. Mg. Marina da Silva

O mundo foi produzir na China, a fábrica planetária e  as formas de produção, as matérias-primas, as mercadorias nunca mais foram as mesmas, nem as relações de trabalho e o mundo do trabalho também! Em 1999 a China entra para a OMC- Organização Mundial do Comércio e o dragão híbrido toma o mundo de assalto. A era do dragão marca a invasão chinesa e o jeitinho chinês de clonar, falsificar, piratear, contrabandear mercadorias!
Tudo que é sólido se desmancha no ar!8 O mesmo vale para a qualidade das mercadorias e caráter dos indivíduos: raro, único, autêntico, verdadeiro, clássico, individual, referencial, nobre, tradicional, extraordinário. Tudo que é original pode ser falsificado! “A corrosão do caráter da produção”, afirma Richard Sennett 9, se espraia para a vida! Cada vez mais as necessidades e desejos humanos são confinados miseravelmente ao grosseiro, tosco, falso, ao necessário, reles, pirata, ordinário! Uma miséria espiritual inimaginável corrompe sociedades inteiras, principalmente aquelas que se auto-denominavam avançadas, primeiro-mundistas!
Uma vida ordinária, chula, grotesca nas relações humanas, um altíssimo grau de mentiras e corrupção e golpes na economia, política, religiões, cultura, enfim, em todas as esferas da vida convive com uma opulência material e concentração de riquezas cada vez maior e corrompida! 
www.google.com.br/images. Outro aperto de mãos e mais uma geoestratégia fadada a gerar mais tensão entre as potências e divinas missões na partilha do espaço mundial. Para os povos: guerras, perdas, mutilações, mortes, destruição, horror, uma continuação do terror do século passado. 

Uma riqueza material inimaginável  descolada do engrandecimento do espírito; uma vida cada vez mais inautêntica, apática, destituída de valores humanos que se sonhava vir atrelados ao progresso e expansão capitalista e mesmo com as utopias e experiências reais do comunismo e socialismo tornou-se "A condição pós moderna", principalmente para as classes médias tradicionais!




 Fontes:

1.Guerra fria. http://brasilescola.uol.com.br/geografia/guerra-fria.htm

2. KISSINGER, Henry. Ordem Mundial. Ebook KINDLE, posição 4871-72

3. MARX. K. O CAPITAL. Crítica da economia política- o processo da produção de capital. Livro I. Vol.I. Rio de Janeiro: editora Civilização, 1998.


5. Grande Salto à frente [1958-1962]. http://brasilescola.uol.com.br/historiag/grande-salto-para-frente-na-revolucao-chinesa.htm

6. KENNEDY, Paul.  Preparando para o século XXI.

7. RIFIKIN, Jeremy. O fim dos empregos. O declínio inevitável dos níveis dos empregos e a redução da força global de trabalho.São Paulo: Makron Books, 1995.


8. Tudo que é sólido se desmancha no ar, obra de Marshal Berman e usado aqui para  se referir ao poder do capital em transformar tudo em seu contrário, em romper qualquer tipo de barreira, seja ela física, moral, ética, religiosa, estados nacionais, tradições, folclore, culturas inteiras em seu processo de expansão contínua e em escala ampliada.

9. SENNETT, Richard. A corrosão do caráter. Consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo.