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terça-feira, 28 de janeiro de 2014

BRAZIL: DOR AZUL...

A MENINA AZUL
www.google.com.br/images. Lindinha, uma das meninas superpoderosas.
 Marina da Silva 

 Era uma menina dessas meninas de hoje, muito alta. 
Tinha a pele muito clara, algumas marcas esparsas do final da meninice e chorava.
 Encontrei-a assim; longos cabelos loiros, presos num quase coque, quase rabo de cavalo_ muito charmoso_ curvada, rosto vermelho pelo pranto, perto de um bebedouro.
A curiosidade fez-me voltar pelo mesmo corredor e lá estava ela, uma mão nas alvas cadeiras, outra a enxugar lágrimas torrenciais e andava de lá para cá entre livros de Shakespeare a soluçar. 
Vestia azul da cabeça aos pés. Olhos azuis como um céu de verão quente, trajava um blue jeans desbotado e uma mini-blusa de um azul turquesa. Nas orelhas e nos pulsos trazia enormes brincos e pulseiras com lindas pedras e contas azuis a desfilar nervosas entre as comédias, os dramas e tragédias shakespearianas. 
Fito-a longamente e percebo que não é um choro comum; desses, quando as meninas fazem birra e nem daqueles que traem as paixões infantis e adolescentes, pérolas da azul juventude. Ela chorava e se contorcia e soluçava e andava alucinada, o corpo curvado pela dor.
 _ O que tem menina? Pergunto preocupada.
 _ Está sozinha? Posso ajudá-la? Fazer-lhe um favor? Por um instante ela ergue o corpo e me fita lá do alto.
 _ Estou morrendo... _ gagueja entre lágrimas _ tenho pedras nos rins! 
_ Oh Deus do céu! Você está sozinha? Não se aflija que vou buscar ajuda.
Por sorte há um posto médico aqui.
A menina me agradece com um sorriso meio torto pela dor, mas por um instante azul, enquanto a conduzo até o elevador, apoiando-a pelo cotovelo, ao socorro, que quase por milagre, encontrava-se a três andares dali. Atencioso, o médico nos recebe, olha-a gentil sem poder disfarçar a admiração daquela beleza angustiada, assim cheia de dor e... azul.