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terça-feira, 29 de outubro de 2013

BRAZIL: PALAVRÃOTERAPIA!

PALAVRÃO
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Marina da Silva
Nasci na ditadura militar que ditava todas as regras no país e também dentro e fora dos lares. Entre as inúmeras proibições na família, uma era o nome feio, o palavrão, especialmente para nós mulheres. Dois de meus irmãos eram bocas sujas e o mais atentado, o comunista, tinha a mania de xingar a gente de rapariga e "felha" da puta!
Cresci travada, dando topadas com o dedão, xingando baixo, merda, bosta ou desgraça pelada para garantir na boca boa parte da dentição.
_ Mão na boca antes que o pé a alcance! Boca fechada conserva os dentes! Quem fala demais dá bom dia a cavalo!
A ditadura acabou e um arsenal de palavrões invadiu as ruas, praças, rádios, jornais, revistas, programas de televisão, música, novelas. E eu ainda travada!
_ Mãe, bate na boca dele, ele xingou palavrão! Um mico na pelada e eu não soube onde enfiar a cara.
Quase quarenta anos e não passo do merda, bosta e abandonei para sempre a desgraça pelada, o nome mais horrível que pronunciava e mamãe nunca o perdoava. Era sempre porrada!
Educo minha filha ensinando-lhe o significado de cada palavrão aprendido fora ou dentro da família e ainda reprimindo sua expressão.
_ Há lugares certos para se dizer um palavrão! Informo em todas as chamadas!
Aos quarenta passei por uma revolução!
_ Minha irmã está correta! Preciso relaxar mais, soltar a franga. Afinal quarentei e não preciso mais de autorização para xingar, soltar arroto ou bufa!
Levo a menina a um jogo de futebol e preparo para me esbaldar! O jogo é de vida; ou morte na segunda divisão. Assisto o primeiro tempo tão aflita que esqueço minha predisposição de xingar.
No intervalo mudo de lugar, sento em meio à rapaziada, preciso me libertar!
A poucos centímetros de mim, um degrau abaixo na arquibancada, senta-se uma senhora com uma menina. Como eu, cerveja na mão, mas na outra ostenta ainda um cigarro.
O jogo recomeça e era uma mulher destravada:
_Porra!!! Caralho Fábio Júnior!
Minha filha me cutuca, os homens silenciam-se, parecem chocados?!
_ Vai tomar no seu cu Cicinho! Viado, seu córno!
Meu rosto arde em brasa.  E é tanto filho da puta, cusão, boiola, puta que pariu, buceta arregaçada, que cai por terra toda a minha disposição de dar uma destravada.
Meu time ganhou no último minuto, com um pênalti roubado; um bêbado caiu por cima de mim, desequilibrado, e eu:

_ Bosta, merda _ só mentalmente_ sem o desgraça pelada!