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terça-feira, 7 de agosto de 2012

BRAZIL: Se essa rua fosse minha...


AVENIDA CENTRAL
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Sérgio Antunes de Freitas

Logo que a cidade foi elevada a comarca, sua rua principal foi duplicada e passou a se chamar Avenida Central.
Durante décadas, a beleza das flores de seus canteiros centrais bem cuidados demonstravam o orgulho dos cidadãos e a pujança do progresso da região.
Sua localização referenciava os moradores, os visitantes e, também, refletia a forma como o município era bem administrado, com equilíbrio, ou seja, de modo centrado.
Mas um político achou um desperdício aquele quase monumento municipal não homenagear ninguém e vislumbrou uma iniciativa valiosa para suas intenções eleitorais. Ainda era tempo do domínio militar em nossa República e, por isso, propôs um projeto de lei trocando seu nome para Avenida Coronel Flores, buscando agradar os poderosos e os simpatizantes dos poderosos instalados no governo estadual.
Na verdade, o Major Flores havia sido um militar dedicado à radiotelegrafia e pouco se importava com a política. Era pessoa afável, não tinha inimigos, pois vivia meio recluso em sua residência, com seu rádioamador, ajudando pessoas por vezes, mas sem se importar muito com a vizinhança. Quando foi para a reserva, recebeu o título de tenente-coronel.
Os vereadores acharam que o nome seria muito grande e, alegando que o tenente-coronel é tenente, mas também é coronel, optaram pela mais alta patente, até mesmo para revestir de maior importância a avenida.
Por coincidência, nesse mesmo tempo, em uma esquina importante da ainda Avenida Central, abriram uma floricultura com o nome de Central das Flores Belas.
Após a aprovação da lei e a sanção do Senhor Prefeito, foram alteradas as placas de identificação do famoso logradouro.
Na tal esquina, contrastava o nome da Avenida Coronel Flores com o nome e as imagens alegres do letreiro da Floricultura Flores Belas.
Os vereadores da situação e alguns militares se indignaram com o fato. Afinal, o Tenente-Coronel Flores, mesmo de pijama e iniciando a senilidade, era macho pra chuchu! No fundo, isso soava como uma ofensa às Forças Armadas, ainda que involuntária.
Entretanto, a revolução perdia força e o dono da floricultura não dispunha de recursos para mudar o nome de seu estabelecimento, o que seria complicado pelos gastos com novos talões fiscais, embalagens, propagandas etc.
A desavença ficou sem deslinde, até que chegou a Nova República. Outros tempos, outros vereadores, a avenida mudou de nome novamente, mas ninguém se lembra mais quem foi o homenageado, um tal doutor que nem doutorado havia feito. Talvez não tivesse nem graduação.
Em pouco tempo, alguns edis mais progressistas resolveram que a avenida deveria ser chamada por Chico Carvoeiro, em homenagem a um grande companheiro de luta, sindicalista incansável, atropelado e morto por um motorista bêbado, empregado no escritório de um industrial considerado expoente da burguesia que dominava o poder local. Muitos ainda acham que foi crime encomendado.
- Que Deus o tenha, mas onde já se viu a principal rua da cidade ter o nome daquele arruaceiro? – Exclamavam as matronas da elite municipal, em seus encontros de fim de semana no Tênis Club.
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Conturbando mais o quadro, por alguma razão burocrática, haviam criado uma lei que retirava o nome anterior da avenida, já aprovada e sancionada. A segunda, que homenageava o ilustre carvoeiro, não havia sido sancionada, devido às pressões políticas e sociais.
Então, ocorreu um vazio legal e a tradicional avenida ficou sem nome e sem suas saudosas placas de identificação nas tradicionais esquinas.
As pichações negras nos muros brancos e em outros elementos da paisagem urbana pareciam reivindicar a presença do carvão na roupa do finado Chico, enquanto as flores agora muito mal tratadas lembravam o também finado Major.
E como essa história interferiu na vida do Tenório, um ajudante de cargas, que só queria comprar um terno a prestações, para ir ao casamento de seu primo?
É que o gerente da loja de departamentos criou as maiores dificuldades para aprovar o cadastro do Tenório, só por que ele escreveu no campo relativo ao endereço de sua residência: Avenida sem Pracas, N. º 144 – Fundos.
 
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"Puta Que Pariu localiza-se em Bela Vista de Minas, próximo a João Monlevade no estado de Minas Gerais e foi criada pela lei nº 27 6 mole 6 dura datada de dezembro de 1900 e guaraná com rolha pelo desmembramento do Município de Merda"http://desciclopedia.ws/wiki/Puta_que_Pariu_(Minas_Gerais



Sérgio Antunes de Freitas
5 de agosto de 2012