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sábado, 8 de outubro de 2016

BRAZIL: ESCRAVIDÃO, MISÉRIA, POBREZA, DESUMANIZAÇÃO.


ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE...
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Marina da Silva

Lembro-me como se fosse hoje, o nó na garganta, uma coisa esquisita revirando meu estômago, um sentimento inexplicável, dilacerante que me veio ao ler uma poesia, se não me falha a memória, de Manoel Bandeira, um canto de indignação, consternação e perplexidade ao ver um bicho estranho revirar o lixo, fuçar e comer coisas do lixo e constatar que aquilo, o bicho, na verdade era um homem.
Nunca mais fui capaz de ler tal poesia e nunca mais a esqueci. Era pesada, sombria demais para uma menina quase adolescente que vivia na lua. Minha alma ficou marcada para sempre e um medo terrível de ser transformada assim, de homem em bicho me acompanha pela vida.
Mas não o medo das ausências materiais, medo de viver no lixo e do lixo como  atualmente vivem milhões de homens, mulheres, idosos, crianças, grávidas espalhados pelos quatros  cantos do mundo.
Marginalizados, seres humanos vivem espúria e precariamente, salvando o planeta catando, comendo, reciclando lixo e perdendo a cada segundo sua humanidade; as potencialidades humanas travadas, impedidas, roubadas na exploração predatória da ditadura capitalista.
Foto Marina da Silva. Catadora de recicláveis.Brazil 

Milhões e milhões de seres humanos relegados à extrema miséria num mundo onde o poder, o potencial humano rebrilha de forma inimaginável.
Nunca o homem foi tão grande, nunca a capacidade humana foi tão exponencial, nunca as forças essenciais humanas foram tão refulgentes como na atualidade, mas também nunca a miserabilidade, a desumanização do ser do homem atingiu proporções tão gigantescas, grotescas, bizarras e escatológicas.
O mesmo ser que produz riquezas materiais impensáveis trinta, quarenta anos atrás, produz arrasando o humano, a humanidade dos homens, transformando-os em seres inqualificáveis, inferiores até mesmo aos bichos.
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http://exame.abril.com.br/30/05/2016

"(...)o Brasil tem 161,1 mil pessoas submetidas à escravidão moderna – em 2014, eram 155,3 mil. Apesar do aumento, a fundação considera uma prevalência baixa de trabalho escravo no Brasil, com uma incidência em 0,078% da população."

Homens que para garantir a mera sobrevivência e acima de tudo a dignidade e a honra de permanecer na espécie humana se sujeitam às condições de  trabalho desumanas, escravo de relações abjetas que garantem a reprodução cada vez maior, intensa, global de um mundo de valores invertidos.
Um mundo produtor de mercadorias cada vez mais sem sentido de uso, de utilidade  corrosiva e degeneradora dos valores humanos e da busca por uma humanidade outra em que a lógica da produção não destrua sua principal razão de existência: mulheres e  homens.