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quarta-feira, 16 de abril de 2014

BRAZIL: TOMBOs

A RUA DO TOMBO – A VOLTA
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Sérgio Antunes de Freitas

Há mais de dez anos, escrevi uma crônica sobre os tipos de tombos que as pessoas sofrem em um trecho de passeio, com um grave defeito em seu piso, na quadra onde moro.
Esse texto foi bastante divulgado por correio eletrônico e publicado em diversas páginas eletrônicas.
Foi um dos escolhidos para o livro da Maitê Proença, nossa inesquecível Dona Beja, exímia amazonas de Araxá, denominado “É Duro Ser Cabra na Etiópia”.
Até hoje, como é previsível nas administrações urbanas, o passeio continua sem reparos. E os tombos continuam.
Porém, como substituí minhas caminhadas por horas de academia, deixei o estudo de lado, parcialmente apenas, pois, de vez em quando, mato saudades das minhas jornadas.
Assim, cumprindo promessa, relato os novos tipos únicos catalogados, e, com razões, encerro aqui meu trabalho. São eles:
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1.            Pino de Boliche: esse foi sofrido por um provável praticante de judô, pois ele caiu fazendo o rolamento perfeito, aprendido nos tatames, justamente para se defender, nunca para atacar, como reza a filosofia oriental. Acontece que, na frente dele, havia três pessoas andando mais devagar que o rolamento! “Strike”!  A velhinha nordestina ainda conseguiu gritar: - Valei-me, Padinho Ciço! Mas também caiu.

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2.            Passo do Símio: o cara veio e caiu. Saiu andando de quatro, como um bugio, mas se equilibrou novamente como um bípede. Voltou a andar de quatro, como um orangotango, se equilibrou em duas pernas tortas, girou e se sentou no gramado, com os joelhos dobrados, coçando a cabeça.

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3.            Diamante Negro: o indivíduo vinha correndo de forma ritmada, como um jogador de futebol que vai receber o cruzamento do ponta-esquerda. Bateu no ressalto da calçada, virou de costas, levantou a perna esquerda, depois, a direita. Digno do lance denominado bicicleta do Leônidas da Silva, se houvesse uma bola, ela seria metida no ângulo, sem chance de defesa para o goleiro infeliz. Caiu de costas, único movimento não previsto na jogada. Corri para cumprimentar, digo, acudir o atleta, pois, assim como os jornalistas, devo proteger meus colaboradores. Quando cheguei, ele já havia recobrado a respiração. Fiz algumas perguntas, para ver se ele estava bem, e ele me respondeu com movimentos de cabeça. Acho que ainda não havia recobrado a voz.
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4.            Carlitos: no caso desse sujeito, desconfiei de um princípio de labirintite, pois as consequências da topada foram além da normalidade. Ele perdeu o equilíbrio e passou a caminhar, tropegamente, com um pé na rua e outro na calçada. Lembrou famosa cena do Chaplin, no filme O Grande Ditador. Enfim, como um maltrapilho, deitou na sarjeta.

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5.            A Volta: na verdade, o nome correto deste último é “a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”, frase de famosa música de Geraldo Vandré. Foi assim! Eu vinha andando, relaxado com as músicas saídas pelos fones de ouvido, despreocupado, quando cheguei ao ponto máximo da Rua do Tombo. Pisei um pouco antes do murundu, mas o chão cedeu e eu tropecei! O tombo ocorreu em três atos, como nas grandes tragédias do teatro. No primeiro, apresentei alguns passos da tradicional dança popular cossaca: mãos no chão, atrás das costas e pernas para o alto. Acho até que ouvi alguns aplausos!
Depois, veio o momento aerodinâmico: tentei me equilibrar, como se estivesse brincando de aviãozinho.
Por último, aterrei, rolando, moendo todos os ossos de todos os lados.
Creio que estarei no próximo Livro dos Recordes. É inédito digitar uma crônica com um dedo só e todo besuntado de arnica.
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Sérgio Antunes de Freitas
13 de abril de 2014