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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

BRAZIL: MINHA CASA...MINHA VIDA.


REFORMA E XADREZ
www.google.com.br/images Três programas Discovery que confirmam:  construção ou reforma de imóvel no Brazil é...fria!

Sérgio Antunes de Freitas

Pela atualidade das palavras do título, pode a primeira ideia ser a de um texto sobre reforma política e xadrez para os corruptos.
Não, chega por enquanto!
Trata-se, aqui, de reforma de residências e jogo de xadrez. Isso por que há uma estreita relação entre as duas atividades.
Na reforma, o dono ou o arquiteto faz o papel do rei no jogo de xadrez. Aparentemente, é o mais importante, mas tem pouca governabilidade sobre seus passos.
Já a rainha, que normalmente é a madame, ou seja, a esposa, a cliente ou aquela que deseja ver seus sonhos realizados, anda para qualquer lado. Dispõe de uma mobilidade incrível, para descobrir novos materiais de construção, combinações exóticas, elementos complicados para serem instalados, itens desejados posteriormente, que vão exigir demolição e reconstrução do que acaba de ser feito.
www.google.com.br/images."Pierre Cardin é dono de uma das casas mais irreverentes de Cannes. Projetada pelo arquiteto Antti Lovag em 1989, a casa batizada de Palais Bulles"

Para não ser julgado como machista, o rei pode ser uma arquiteta e a rainha, o cliente exigente.
A torre é a loja de materiais de construção. Quando você vai ver, já mudou de endereço de novo ou, na urgência, você não se lembra mais onde fica.
O bispo é o Procon. Certamente, você vai se queixar pra ele!
O cavalo é o entregador dos materiais de construção. Sua casa fica em uma linha reta desde o depósito, mas ele não consegue entregar a encomenda no dia certo.
E tem o peão. Ah, o peão!
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De mesmo nome, se não fez nenhum curso e aprendeu “vendo”, ele é o mais lento na reforma, após um início demolidor. Mas, quando se defronta com outro, para. E não tem como faze-lo ir à frente.
O peão de obra, que se considera um mestre de obras injustiçado, é a versão real da Lei de Murphy. Se há uma única forma de fazer algo errado, ele descobre. É um gênio!
Para quem tem Transtorno Obsessivo Compulsivo, o famoso TOC, relativo a assimetria, o peão é pior que álcool para cirrose. Arquiteto, que tem TOC em estado avançado, entra em banheiros e cozinhas, com azulejos que começam inteiros de um lado da parede e terminam em pedaços do outro lado, ou com juntas de paredes desencontradas das juntas do piso, e sai chorando ou com sinais típicos de delirium tremens. Piso em diagonal é fatalidade garantida!
Se é necessário pregar uma prateleira, você ensina ao peão: - Pegue a trena e um lápis, marque um “x” no meio e dois nas laterais, para ficarem simétricos.
- Precisa não, doutor. Vai no olhômetro. Eu num erro.
Você diz para ele não fazer isso, mas o telefone toca e você vai atender, pois pode ser o vidraceiro que está atrasado há cinco dias.
Quando você volta, o peão botou dois pregos de um lado e um no terço oposto invertido do espaço que sobrou não se sabe como. Você reclama e ele diz: - Tá firme, doutor. Não cai, não!
Difícil também é quando se constata que, nos banheiros, tem mais vazamentos que nos segredos de Estado. A gente ajoelha, junta as mãos e pede que seja de água limpa.
Por isso é que, no xadrez, a maior quantidade de peças é de peões. É que, se você sacrificar um, não vai fazer tanta falta. Calma! Eu disse no xadrez, gente!
A reforma apresenta três fases distintas, todas da família “vai ficar”.
Durante o projeto, pois fazer reforma sem projeto é igual a jogar xadrez de olhos vendados, está a primeira fase: - “Vai ficar” maravilhosa!
No meio da obra, vem a segunda fase: - “Vai ficar” pronta, só Deus sabe quando!
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Pouco antes do final dos trabalhos, vem a última, com a voz do rei, brandindo, colérico: - “Vai ficar” assim mesmo!
E antes dos créditos finais, você admira o resultado, mas vê os erros. Por menores que sejam, são os que mais chamam a sua atenção.
Para esquecer os aspectos estéticos e funcionais da empreitada, você tenta se distrair com números, fazendo a apropriação dos custos da obra, despesas realizadas e parcelas vincendas.
No final da análise, surge o escore: Xeque-mate! O rei morreu.
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Sérgio Antunes de Freitas
1.º de dezembro de 2013