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segunda-feira, 4 de março de 2013

BRAZIL: SEXO BAUNILHA

SEXO EM DOIS TEMPOS
 Sérgio Antunes de Freitas

Ansiosa, ela telefonou para o maridão e perguntou: - Onde você está? Vai demorar?
- Não - respondeu ele. Estou no vizinho, terminando um copo de vinho e, dentro de alguns minutos, estarei aí.
- Ótimo – ela provocou. Eu também estou tomando um copo de vinho. Vem logo!
Alguns minutos depois, o barulho das chaves anunciou a chegada do homem. Os passos o trouxeram para o quarto.
- Que fria está a noite! Brrrrrrr. O livro é bom? – perguntou.
- Tem partes boas – ela respondeu, colocando os “50 Tons de Cinza” no criado mudo.
Em seguida, olhou por cima dos óculos, com os dentes travados e à mostra, em uma mistura de ameaça e sensualidade, observando ele tirar a roupa.
- Hummm! Você está um coroa delicioso. Não põe o pijama, não! Aqui embaixo está quentinho - ela sorriu, mostrando sua “lingerie” nova.
- Fecha a porta – complementou.
Ele também sorriu e obedeceu a tudo.
Como a idade trás o sexo mais suave e de melhor qualidade, eles se demoraram um pouco mais nas chamadas preliminares. Até que chegou o momento mais objetivo e partiram para o convencional.
A diferença de temperaturas entre o interior e o exterior das cobertas era cada vez maior e, num golpe de capoeira, ela atirou todas as cobertas no chão.
Nesse momento ele se esticou todo e, ato contínuo, gemeu em alto volume, como não era de seu feitio.
Meio surpresa e indignada, ela protestou: - Pôxa! Você não vai me esperar, Amor?
E, por conta de uma intenção do castigo e de uma vontade latente, deu-lhe uma chave de pernas imobilizadora.
Na verdade, ele tentava alcançar o dedão do próprio pé com a mão, mas a chave de pernas o impedia.
Ela pensava: - Mas que diabos de posição mais esquisita que este macho está querendo!
Até que ele conseguiu falar economicamente, pedindo socorro; - Câimbra perna esquerda!
No estica e puxa do atendimento emergencial, ele continuou informando: - Câimbra duas pernas. “Nas batata!”
Puxa daqui, empurra dali, segura de lá, enfim, ele avisou que as dores haviam passado.
Então, ela se deitou, esticada e cansada. Ele, em posição fetal, manteve-se em silêncio, mas logo comentou; - Depois que passa, é como se a gente já tivesse...
- Calma - ela disse, meio compreensiva e meio interessada. A gente recomeça devagar. Temos a noite toda! Vou buscar mais vinho.
- Eu prefiro arsênico – retrucou o quase inválido.
E assim foi: puxa daqui, empurra dali, segura de lá, mas não nos pés, pois o casal não era chegado a fetiches ou coisas semelhantes.
Amor feito, carícias contínuas, respirações desacelerando, ele olhou para o quarto à meia-luz e comentou:- O quarto está revirado. Estão no chão os cobertores, os livros, os óculos, os copos de água, os bibelôs. Se alguém entrar aqui, vai pensar que fizemos o tal sexo selvagem.
E continuou sua análise: - Acho que vou tirar uma foto para mostrar aos meus amigos. Só para contar vantagens. Eles jamais vão imaginar que foi câimbra!
Ela riu e se aninhou no peito do amado.
Minutos depois, usando da manha feminina para recomendar sem ofender, comentou: - Agora, Amor, quando você fechar a porta e começar a fazer o aquecimento, com flexão das pernas principalmente, eu vou pensar “Ôba, hoje vai ter aeróbica”!


Sérgio Antunes de Freitas
3 de março de 2013