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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

BRAZIL. "VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?"



OS PRÓXIMOS QUATRO BILHÕES: o estudo e o paradoxo.
 
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Marina da Silva



Para começar necessitamos do Aurélio, o pai dos burros, para saber o que é mesmo um paradoxo. Tem cara de palavrão, mas é o “conceito daquilo que é ou parece contrário ao senso comum”.  Mas vamos entendê-lo melhor analisando os resultados de um estudo realizado pelo IFC (Corporação Financeira Internacional) instituto privado ligado ao Banco Mundial e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) sobre como a pobreza mundial é um mercado potencial de capital, ou seja, a pobreza pode gerar muita riqueza. Como? Este é o tal paradoxo! 
 
www.google.com.br/images"Notícia relançada pelo The Economist:pela primeira vez na História, o número dos pobres diminui em todos os lugares".  Então, a crise global afinal faz bem? Mais desgraçadas as economias, melhor a vida de todos? E todos os novos desempregados?"

Diz o estudo que “as quatro bilhões de pessoas que vivem na pobreza tem um poder de compra de 5 trilhões de dólares”! Pasmem! Os quatro bilhões de pobres que correspondem a 72% da população mundial é um mercado subestimado, “significativo e mal alimentado”! Quatro bilhões de pessoas, vivendo abaixo da linha da pobreza, isto é, tendo de sobreviver com 1,5 a 4 dólares por dia, podem enriquecer ainda mais os poucos ricos do mundo! É um paradoxo!
 
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O levantamento do IFC, unha e carne ao Banco Mundial/BID entrou fundo na pobreza, rastreou, mapeou, fez gráficos e chegou aos seguintes dados: geograficamente, a maior concentração de pobres está na Ásia e Oriente médio – são 2,86 bilhões de seres humanos que podem ser explorados e gerar um mercado de 3.47 trilhões de dólares. Trilhões! 
 
www.google.com.br/images. China comunista, 2ª potência capitalista do planeta:  enjaulando a pobreza!


Em seguida vem a mama África, com 486 milhões de pobres e um mercado potencial para 429 bilhões de dólares; depois a América latina com 360 milhões vivendo na pobreza, mas um  mercadão potencial para U$509 bilhões e por último o leste europeu, que tem 254 milhões de pobres que espremidos podem chegar a uns  U$ 458 bilhões. Brincadeira? Não! E a coisa pode ser mais sinistra se levamos em conta que o conceito de pobreza varia e muito de país para país. Se o pobre no Brasil é assim imagina na África!
 
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O estudo aconselha aos capitalistas a investir na penúria. A conclusão é que “a pobreza dos quatro bilhões“ pode enriquecer as empresas e seus clientes” e isso porque existe um tal “custo adicional ligado à pobreza” ou seja, “os pobres têm frequentemente acesso aos produtos e serviços mais caros, de menor qualidade, e às vezes em condições difíceis e até impossíveis”! Como isto é possível? 
www.google.com.br/images: "Para levantar o número de brasileiros em extrema pobreza, o IBGE levou em consideração, além do rendimento, outras condições como a existência de banheiros nas casas, acesso à rede de esgoto, água e energia elétrica. A pesquisa também avaliou se os integrantes da família são analfabetos ou idosos.Os dados do instituto apontam que os 16,267 milhões de brasileiros extremamente pobres estão concentrados principalmente na região Nordeste, totalizando 9,61 milhões de pessoas..."IBGE/2010




Tem várias modalidades e nomes:  no Brasil, populismo, clientelismo, dar o peixe e alguns cultos vêm chamando de “Estatização da pobreza” ou seja, programas sociais de combate a fome, miséria, doenças, medidas paliativas como o bolsa-escola, bolsa-família, vale-gás, cesta básica, etc.)enfim: BOLSA-ESMOLA; no primeiro mundo (EUA, Europa) existe um mínimo social e programas para complementá-lo; na África impera as campanhas humanitárias de combate a fome, Aids e outras misérias através de ONG’s, OG’s e organismos internacionais como a FAO( Org. para Agricultura e Alimentação), ONU( Org. Nações Unidas), OMS(Org. Mundial de Saúde). E o pobre ainda dá seu jeito em bicos, biscates, trabalho informal, ilegal.
 
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Que a riqueza se assenta na exploração de bilhões de seres humanos que têm de garantir a existência com o mínimo é fato conhecido, palpável e visível, mas daí a colocar isso numa pesquisa e mostrar que ainda é possível tirar mais dos pobres, é abjeto!

 
www.google.com.br/images "Especulação com preços dos alimentos provoca fome no mundo". E os maiores ESPECULADORES são J.P. Morgan, Goldman Sachs, Barclays. TV5 Monde/14-09-2012



 Estatizar a pobreza é na verdade uma acumulação capitalista selvagem sobre as mazelas sociais provocadas pelo capitalismo. O problema da pobreza pode se deduzir, é a educação, principalmente, matemática e econômica, pois os pobres têm muito pouco e ainda gastam mal. Quer ver? Gastam: US$ 2,85 trilhões em alimentação; US$ 433 bilhões com energia, US$ 332 bilhões em moradia, outros US$ 179 bilhões em transporte, desperdiçam US$ 158 bilhões na saúde, US$ 20 bilhões com água e somente US$ 51 bilhõezinhos com tecnologia de informação, leia-se celulares!
Foto Marina da Silva. Trabalhadores informais; catadores de materiais recicláveis presos a uma rede de exploração verde que inclue o serviço de limpeza urbana de Belo Horizonte. Se não fossem os catadores teríamos que morar na capital do lixão a céu aberto, pois em BH a limpeza urbana é de QUINTA categoria realizada por TERCEIRZADAS!


Para os experts do IFC /Banco Mundial/BID, o negócio é redirecionar estes gastos! É muito dinheiro mal investido, principalmente nessa mania que pobre tem de comer! Detalhe: pode parecer mera coincidência entre estudos como este e a atual especulação sobre a crise global dos alimentos _ que vem levando as nações estocarem alimentos como arroz, trigo, milho gerando elevação de preços _ e a grande fome século XXI. Mas...será?


www.google.com.br/images. "O Cassino do Sistema Alimentar Global – o direito à alimentação deve estar acima da fome de lucros"

No fundo, lendo a reportagem sobre o estudo “Os próximos quatro bilhões”, a impressão que se tem é que os investidores irão fazer uma caridade imensa, voltando seus olhos e garras sobre os miseráveis do planeta!



"Em ‘The Food Bubble: How Wall Street Starved Millions and Got Away with it’ (A Bolha Alimentar: como Wall Street levou milhões à fome e conseguiu sair impune) — uma matéria de capa da Harper’s — Fredirick Kaufman afirma: “A história dos alimentos teve uma transformação sinistra em 1991, numa época em que ninguém estava prestando muita atenção. Naquele ano, o Goldman Sachs decidiu que o nosso pão de cada dia poderia ser um excelente investimento”."por Vandana Shiva