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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A MENINA E O MONSTRO
Marina da Silva
Parecem personagens de contos de fadas, mas pertencem a vida real e ambos emocionaram e tocaram profundamente os corações das pessoas no mundo inteiro até mesmo nos mais longínquos rincões do planeta. E aconteceu agora, segunda quinzena de julho de 2011, século XXI. A menina, Rachel Beckwith, Seatle, Estados Unidos. Ele, Anders Breivik, auto-denomina-se “o monstro”, Oslo, Noruega. Rachel e Anders surpreenderam o mundo com suas ações frente ao “outro”, ao “diferente”, “não-igual”, enfim, aqueles que motivos vários e complexos são discriminados. “O monstro” e a menina, ambos cristãos e internautas. Rachel sensibilizada e inconformada com a penúria de comunidades pobres na África que sequer tem água limpa para beber criou um site com um belo propósito:
                                 www.google.com.br/images 
No dia 12 de junho de 2011, vou fazer 9 anos. Descobri que milhões de pessoas não vivem até seu quinto aniversário. E por que? Porque elas não têm acesso à água limpa e segura. (...) Por isso estou celebrando meu aniversário de maneira diferente. Estou pedindo para todo mundo que eu conheço que doem à minha campanha em vez de me dar presentes no meu aniversário”.
A menina Rachel queria arrecadar 300 dólares para - através da ONG Charitas:water- “levar água limpa a comunidades carentes da África”.
www.google.com.br/images. Bilhões de seres humanos dispersos nos cinco continentes padecem pela falta de água, uma grave crise na África, mas que também afeta milhares de cidadãos, por exemplo, no Brasil e bem perto de qualquer um de nós!
Anders, auto-intitulado “o monstro” também queria ajudar “seu mundo” e elaborou minucioso e detalhadamente “um plano” de 1.500 páginas, um imenso manifesto publicado na internet (twitter/facebook): “A european Declaration of Independence – 2083” onde se declara radicalmente contra a miscigenação ou mistura das raças e integração na Europa.
“A razão de nossa preocupação deve-se ao fato de que a imigração massiva, a mistura racial e a adoção por não europeus são uma ameaça à unidade da nossa tribo”.
Nove anos apenas, um amor incomensurável, um sentimento de integração, uniformidade, compartilhamento, solidariedade, aceso, maduro no coração e intelecto de Rachel, a menina. Trinta e dois anos, um ódio irracional, radical, desmedido, inesgotável, estreita e endurece o coração e espírito do “monstro” que compartilha (e não está sozinho) a abjeta intolerância frente aos não-iguais, às tribos diferentes. Integração, aceitação ou extermínio dos desiguais? É a morte quem vai atravessar o caminho de Rachel e Anders.
22 de julho: “A morte trágica de uma menina de 9 anos em Seattle, nos Estados Unidos, gerou uma campanha por doações que já arrecadou mais de US$ 165 mil para levar água a comunidades carentes na África”.
                    www.google.com.br/images. A menina, Rachel. Courtesy of charity: water

“Rachel ficou gravemente ferida em um engavetamento envolvendo 13 carros numa estrada próxima à sua casa. No último fim de semana, sua família decidiu permitir o desligamento dos aparelhos que a mantinham viva artificialmente e doaram seus órgãos”. A morte da menina que queria o direito a água limpa para quaisquer tribos do planeta comoveu os Estados Unidos e o mundo!
22 de julho: “para oferecer o melhor aos cidadãos” de seu mundo, Anders entra em ação com dois ataques monstruosos, insanos que matou 77 pessoas e  feriu dezenas de  cidadãos na Noruega!
                         www.google.com.br/images. “O monstro”, Anders Behring Breivik .
 Fantasiado de exterminador, "o monstro" explodiu um prédio em Oslo, capital da Noruega vitimando 7 pessoas e ferindo cerca de 30 outras. Em seguida, atravessou de barco em direção a ilha de Utoya e abateu atroz e ferozmente 70 jovens noruegueses completamente indefesos que se reuniam ali num encontro do partido trabalhista. Anders ceifou vidas preciosas, destruiu famílias, feriu mortalmente a Noruega, o mundo numa atrocidade paradoxal e perturbadora: “o monstro” atacou e destruiu, não o seu “inimigo”, mas cidadãos de sua louvada e defendida “tribo”.
www.google.com.br/images.  Horror, terror, choque, pasmo, consternação! Quanta dor, desespero, destruição, irracionalidade pode causar a odiosa intolerância entre os seres humanos...
A menina e seu gesto de amor ao outro e o monstro e seu ato ignominioso mexeram com as mentes e os corações de muitos aplacando a dor e as diferenças, açulando cada vez mais...o amor!
www.google.com.br/images. Obrigada Rachel! Segundo a ONG charity:water, as doações recebidas por meio da página de Rachel Beckwith já haviam ajudado até a manhã desta terça-feira a fornecer fontes de água potável para 8.290 pessoas”.
“Na segunda-feira, dois dias após a morte da menina, sua mãe, Samantha, postou uma mensagem para agradecer pelas doações à campanha da filha.‘Estou impressionada com o imenso amor para transformar o sonho de minha filha em realidade. Diante da dor inexplicável, vocês forneceram uma esperança inegável’, disse ela.‘Obrigado por sua generosidade. Eu sei que Rachel está sorrindo!”
www.google.com.br/images. Dizendo NÃO ao ÓDIO IRASCíVEL, os noruegueses de todas as crenças e raças, ocuparam as ruas, as praças, as cerimônias de despedida às vítimas do “monstro”!

Na contramão do contínuo processo de criação de uma sociabilidade humana,rica espiritualmente, dois gestos antagônicos, contrários, avessos geraram uma  mesma e única onda: adesão ilimitada ao AMOR, à TOLERÂNCIA e formação de uma frente de resistência ao ódio, intolerância e terrorismo!
www.google.com.br./images “Amor é um fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer; (...) Mas como causar pode seu favor Nos mortais corações conformidade, Sendo a si tão contrário o mesmo Amor?"O mundo consternado diz NÃO AO ÓDIO! Uma lição dura, impensável num país conhecido pela tolerância, democracia, bem-estar, riqueza material, cultural, espiritual, alto índice de desenvolvimento humano!


“OSLO, Noruega — Anders Behring Breivik deve ser condenado ou submetido a tratamento em hospital psiquiátrico? Ouvidos sobre a responsabilidade penal do autor do massacre de 22 de julho na Noruega, os médicos defendem a prisão, destacando, principalmente a longa e minuciosa preparação dos fatos que chocaram o mundo”.