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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

BRAZIL: DE HOMENS E ...KKKKKKK!

GUERRA E ESCOMBROS
Sérgio Antunes de Freitas


                                                         www.google.com.br/images

A guerra é uma questão vital para o Estado.
Por ser o campo onde se decidem a vida ou a morte, o caminho para a sobrevivência ou para a ruína...
(Sun Tzu - A Arte da Guerra.)

A guerra é o mais convincente argumento de que a estupidez humana é real.
As razões de uma guerra sempre se ancoram em raízes históricas. O ódio entre os povos que guerreiam é hereditário, o que pressupõe uma educação estúpida às crianças.
É lamentável, mas muitos já nascem possuindo inimigos.
Não é de berço, mas meu inimigo é o pernilongo.
Eu o considero nesse mais reles nível de estima também por raízes históricas, desde que eu e um amigo disputávamos o coração da mesma adolescente. Ainda assim, mantínhamos uma grande amizade baseada no espírito esportivo.
Na casa de meus pais, em tarde calorenta, ele foi beber água na cozinha, enquanto eu descobri um detestável desses mosquitos no portal. Enrolei o tapete do chão e zapt, golpeei, tangenciando a madeira, para matar o bicho e não sujar a superfície. Não vi se o matei, mas acertei o cangote do meu companheiro, que voltava com o copo na mão.
Ele, sim, se estatelou na lateral da cristaleira. Se usasse dentadura, jamais a encontraria!
Na hora, ainda me desculpou, mas, depois, não quis mais conversa, alegando que eu havia feito uma retaliação, devido à nossa disputa amorosa. E a justificativa do pernilongo mais parecia uma desculpa esfarrapada!
Para não cultivar o suspense, informo que a menina preferiu um terceiro, longilíneo, com língua presa, que usava goma no cabelo e possuía uma bicicleta preta, francesa, que ele chamava de "Maigrichonne".
Agora, anos depois, ainda sentindo a mesma aversão racial, entrei no banheiro e vi um desses invasores do meu território voando irresponsavelmente, como se não houvesse leis para o espaço aéreo nem conceito de propriedade particular.
Usando a mesma técnica do tapete, até para não quebrar o espelho onde ele acabara de pousar, enrolei a toalha e zapt: vidro de xampu caro no chão, metade derramado!
De raiva, fechei a porta e ficamos só nós dois. Me, Tarzan; you, pernilongo!
Percebi o feio voando na direita, dei-lhe com a toalha, ele escapou. Bandido na esquerda, zapt, fugiu.
Deduzi: algum pai-de-santo fechou o corpo desse pernilongo!
Não importava o jeito que eu batia, o condenado conseguia escapar.
Zapt Putz! Meu último frasco de perfume foi-se!
Dane-se a Convenção de Genebra molhei a toalha.
Ao final da molhadela, percebi que o danado estava sob a bancada da pia. Girei a toalha no alto e desci com toda a força e rapidez. O pano estourou na pedra de granito.
O inseto escapou, mas o vizinho, no banheiro ao lado, grunhiu.
(Depois, fiquei sabendo que o barulho, já alto, por alguma razão acústica, amplificou, reverberou e ecoou no banheiro contíguo, causando-lhe o susto. Mas não houve problema, pois, na hora certa, ele estava no lugar certo.)
Voltando à luta, parecia que o condenado sabia Kung-Fu. Ele se escondia nas sombras, pairava sobre o vidro do box, pois sabia que ali eu não atacaria, e executava acrobacias com precisão. Fez até um looping invertido, para me humilhar, pois não o acertei com o pé e ainda quase escorreguei. Ô, como é ruim uma adrenalina mal distribuída!
A essa altura dos acontecimentos, provavelmente, o vizinho já apoiava um armistício.
De repente, vacilei. Lembrei-me de uma informação dada por um insetologista que afirmava ser pernilongo-fêmea a que vem picar a gente. Senti-me um covarde.
Ah! Às favas também com isso, guerra é guerra!
Mais um pouco e senti o prazer meigo e macabro de ver o de cujus no chão. Pisei-o com o calcanhar e girei o pé várias vezes. Eu não queria que sobrasse qualquer lembrança que permitisse remota chance de clonagem.
Já no merecido banho de exausto guerreiro, confirmei que, mais uma vez, Mestre Sun Tzu estava certo!
Agora, é só chamar o moço para trocar o espelho rachado.