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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

BRAZIL: COLÔNIA... DE EXPLORAÇÃO E EXPROPRIAÇÃO PERMANENTE

QUEM TEM MEDO DA CHINA?
Marina da Silva
2010
Primeiro foi Emílio Odebrecht que levantou a questão “Onde foi que erramos?” para empresários/políticos brasileiros, agora são políticos/empresários europeus que querem saber “Quem tem medo da China?”. Está assim aberta a temporada de questionamentos sobre possibilidades geoeconômicas/políticas/estratégicas de acumulação, expansão e domínio capitalista mundial para países de Primeiro mundo e potências regionais emergentes BRIC’s!  E porque Sim e porque Não...uma tentativa de resposta.
Quem tem medo da China? Ninguém! Pelo menos até o último quartel do século XX, onde o máximo que se sabia do gigantesco continente, (além de kung Fu, Fu Manchu, artes marciais) era que a China, o país Vermelho, era comandada pelo comunista Mao Tsé-Tung, que após vencer a disputa com o Kuomintang (1945-49), liderou a “Revolução Cultural” 1966-76 (no martelo e foice) enquadrando a população com o “Livro Vermelho” propiciando com o culto ao líder, a obediência cega ao partido e o voluntarismo ideológico um terreno fertilíssimo para a “Nova China” de Deng Xiaoping. Uma república que conseguiu o impensável: um matrimônio quimérico perfeito entre subsunção ideológica autoritária no campo político e uma economia de mercado capitalista sustentada na apropriação e expropriação amparada na farsa coletivista. Quando Mao se foi (1976) o sistema capitalista dava mostras de saturação, era o fim da “Gold Age”. As idéias liberais ganharam força e os avanços tecno-científicos alteraram profunda e irreversivelmente: as formas de produzir (automação com base na microeletrônica, robotização, informatização, bioengenharia, etc), o gerenciamento da produção e das relações de trabalho, os meios de comunicação e transporte, levando as empresas a uma onda de reestruturação, reengenharia, fechamento de plantas indústrias, dispersão geográfica de etapas ou mesmo todo o processo produtivo e no mundo do trabalho um gigantesco desemprego estrutural e uso intensivo de formas precárias de extração de mais valia absoluta. Este fenômeno complexo de mudanças, ainda em curso, ficou conhecido e restrito às palavras Neoliberalismo, Acumulação flexível e Globalização. E é d entro desta etapa de acumulação, sob a égide da “terceira revolução tecnológica” que a pergunta “Quem tem medo da China?” é pertinente geopolítica e geoeconomicamente falando!
Assim que ascendeu ao poder Deng Xiaoping amenizou o vermelho das idéias comunistas _do “Grande timoneiro” Mao_ em relação à economia, fortaleceu o PC – Partido Comunista que literalmente virou o Estado, introduziu as práticas capitalistas e massacrou os anseios de liberdade tiranicamente, afastando cada vez mais povo/PC. A reviravolta no fracasso do “Grande salto” para desenvolver economicamente a China idealizado por Mao (1958) começou a se conformar com as medidas econômicas flexibilizantes de Den Xiaoping e se coroar com êxito a partir dos anos noventa num crescimento contínuo e invejável, dentro da nova ordem neoliberal globalizada escorada no regime ditatorial fascista do PC! Nesta primeira década do século XXI, a China não é apenas uma potência re gional BRIC, mas uma potência geopolítica e econômica do calibre dos Estados Unidos, formando um duo G-2 que além de meter medo (bipolarização do poder mundial), é responsável pela recuperação econômica capitalista abalada não só, mas principalmente, pela grave crise financeira _setembro de 2008_ que abalou o império estadunidense e UE - União Européia! A China vai liderar o mundo? Ninguém sabe…ainda! Mas a recuperação (estrategicamente) lenta dos Estados Unidos e o avanço chinês sobre os mercados, principalmente América Latina e África estão colocando todos os candidatos a partilha do poder mundial (político, econômico e de polícia-poderio militar) em alerta vermelho!
O dragão acordou e avança, para sustentar crescimento e desempenho econômico e geopolítico, sobre a África e América Latina, utilizando um mesmo padrão: inundando os mercados com produtos 1,99 e comprando matérias-primas básicas, fontes energéticas e produtos agropecuários (minério de ferro, cobre, gás natural, petróleo, soja, aves, etc), investindo em obras de infra-estrutura. Desde meados de 2009, a China já havia desbancado os EUA e UE e se tornado o principal parceiro comercial dos países latinos, incluso Brasil. A presença marcante nos dois continentes se deu nos anos 2000 e se intensificou em 2008 com a crise financeira que abalou os pilares da economia norte americana e tornou fragílima a união dos Estados Europeus (EU).
Por que o medo dos chineses? A china é o dragão do mal? Sim, do Mao, infelizmente para os chineses. Mas acima ou abaixo da linha do Equador todos querem a China, uma dama disputadíssima que parece ter um insaciável desejo por produtos primários (África e América Latina) e industrializados (Estados Unidos/NAFTA, U.E). Mas a China também dá a todos um mercado libidinoso de mão de obra baratíssima (escrava) e um mega luxuriante mercado consumidor (400 milhões dos seus 1 bilhão e 300 milhões habitantes)! Mas será que a China só quer commodities agrícolas e minerais, petróleo e gás na América Latina e África e produtos acabados e tecnologia de ponta dos EUA e U.E? Claro...que não! O medo da China não está somente em seus produtos 1,99, mas nas suas pretensões imperialistas (é a 2ª potência econômica ultrapassando o Japão) igualando-se aos EUA ou mesmo superando-os. Realidade ou ficção? As incursões chinesas na América Latina, países estratégicos para a debilitada potência estadunidense, vem permitindo, por exemplo, ao Brasil, uma maior liberdade para tentar um rearranjo geopolítico no plano global devido ao seu peso geoeconômico... somos o BBB dos BRIC’s!
Quem tem medo da China? A pergunta persiste. Os Estados Unidos, mas não muito, devido aos grandes laços de dependência que se formaram entre os dois países: a China é o maior credor dos EUA e estes os maiores devedores da China, então... soma ZERO! A grande maioria dos ativos chineses está em dólares, a maioria dos créditos chineses se dirigem, em dólares, para paraísos fiscais e a China ainda está se construindo com problemas gigantescos: conter as demandas e agitações de uma superpopulação de várias etnias,  sufocar conflitos separatistas internos em várias províncias e enquadrar a rebelde Taiwan!
E “Quem tem medo da China?”. Países da América latina e África...Não! A demanda por matérias primas vem salvando e enriquecendo empresários, além de jogar para longe a crise financeira global, uma marolinha aqui e ali! Estados Unidos e União Européia têm medo, muito mais geopolítico do que geoeconômico e contra a China têm nas “mangas” uma bomba, ops, carta atômica: câmbio flutuante, fortalecer as ondas separatistas na mega colcha de retalhos étnica chinesa, mantendo relações e/ou aliando-se ao coro dos descontentes!
Mas Quem é que tem realmente medo da China? Sem medo de errar: Taiwan, que embora tratada como província chinesa tem anseios de Estado Nacional soberano!