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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

BRAZIL: RIMAS PRIMAS!

  RUMOREJANDO  
por Juca Zokner
 
PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I
A pedido da Mãe Natureza, não se pode confundir biodegradável com desagradável, até porque a Mãe Natureza acha que todo lixo que é jogado nela e que não seja biodegradável será desagradável para ela e para quem vive nela e, se ainda for possível sobreviver, viverá nela.
Constatação II
Não se pode confundir arrolando, no sentido de cantar, acalentando com arrolando, no sentido de inventariando até porque um é o que é e o outro, por sua vez, é o que é. Simples, elementar e assaz esclarecedor, minha gente!
Constatação III
A mulher entra em casa toda molhada: -“Oi, querido. Peguei uma chuva que nem te conto”.
O marido sem tirar os olhos do jornal: -“E o que você fez com ela ?”
Constatação IV (De uma dúvida crucial).
Quando um político diz para você que ele será todo ouvido para a apresentação das tuas reivindicações ele estará, concomitantemente, fazendo ouvidos moucos ou tua demanda fatalmente entrará por um ouvido dele e sairá por outro? Quem souber a resposta, por favor, comentários no blog. Obrigado.
Constatação V
Em casa, ele
Chegou
De madrugada,
Com a roupa
Amarfanhada.
Aí, desabou
Em cima dele
Uma borrasca
Que até
Voou
Lasca:
“Seu casca
Grossa”,
Ela esbravejou.
“Minha nossa!
Vê se me poupa
Dessas cenas,
Dessa bronca infinda”,
Ele, ainda,
Com bossa,
Com ar sentido,
Contestou.
“Eu tava, apenas
Fazendo serão,
A pedido
Do patrão”.
“E este batom
Na camisa ?”
Ela questionou.
“Batom uma ova!
Deixe de bobagem.
Não é nada
Disso.
Era um compromisso
De uma pesquisa
Que prometi
Realizar
Sobre uma nova
Maquilagem
Pra ser usada
Na próxima temporada.
No duro!
Pode me acreditar
Por que me acusas?
Eu juro
Por minha fé,
Por minha felicidade
Que não te menti”.
E, santa ingenuidade,
Não é,
Que ela acreditou!
Ainda pedindo escusas,
Pela má interpretação
Da tal da história,
Mal contada,
Inglória,
Do famigerado
Batom.
Coitada!
Coitado!
Coitado ?
Constatação VI
Rico tem previsível talento: pobre, esporádica propensão.
Constatação VII
Choravam
As carpideiras,
Só por chorar,
Por prantear.
Sem dor,
Magoa
Ou rancor.
Como de costume,
Com alvedrio*.
Até chegavam
A se lamuriar.
Pareciam água
Jorrando
De torneiras,
Aumentando,
Incontinente,
O volume
Do rio
Do lugar
Tão-somente.
*Alvedrio = substantivo masculino
livre vontade; arbítrio, moto-próprio (Houaiss).
Constatação VIII
Não se pode confundir rapto com repto, muito embora, um rapto, um seqüestro – tão em voga nos dias de hoje, em determinados países – em condições normais de pressão e temperatura vem logo acompanhado de um repto para que se faça uma distribuição de renda – forçada, é bom que se diga – que, naqueles certos países, anteriormente referidos, já há bastante tempo, ou melhor, desde os tempos imemoriais, não está tão em voga. A recíproca, para esses coercitivos casos, não é necessariamente verdadeira. Vejam o caso do CPMF, do imposto de renda e outros menos votados, mas que nem por isso deixam de ser coercitivos.
Constatação IX
A boazuda,
Para impressionar
O namorado
Se pôs
A recitar,
Sem respirar,
Sem tropeço,
Tintim por tintim,
O Canto Geral,
De Pablo Neruda,
Em espanhol.
E se propôs
A ler,
A se fazer
Entender
Desde o começo
Até o fim.
“Se você me ama,
Se eu sou
O seu sol,
Como você proclama,
Venha deitar,
Venha declamar
Na cama”,
Ele falou.
“Mais respeito
E menos despeito!
O trato
Está desfeito.
Você só pensa
No ato,
Me deixando tensa.
Somente me deito,
Depois que terminar.
Você nunca escutou
Nada igual
Assim
Especial”,
Ela contestou.
Coitado!
Constatação X
>Rumorejando apresenta, aos seus inúmeros leitores, mormente o feminino, nova criação de pseudo-sonetos, atendendo ao pedido de milhares de leitoras. Vamos a quatro exemplos, pois:

   1. Uma Dúvida Crucial.

Sem ser do MST (eme, esse, tê),
Ela invadiu meu coração
Eu não compreendo o porquê,
O motivo da ocupação.

A causa seria emoção,
Da pertinaz investida?
Só sei que minha sensação
Foi de nova recaída.

Talvez ela perdeu o rumo,
Por me achar o supra-sumo
Ou, apenas, querer afago.

A verdade é que o fato
Fez de mim gato e sapato
E na cuca grande estrago.

   2. Remédio Para Assédio.

“O Senhor está no céu”,
Pra gata digo meloso
Porém vai pro beleléu
O meu linguajar charmoso.

Convicto, eu não desisto
De lançar mão do meu charme
Mas, quanto mais eu insisto
Não é que vem novo desarme?

As gatas, hoje em dia,
Confesso que não sabia,
Sabem bem o que querer.

Agora que estou sabendo,
Captei o que disse: “Colendo!*
Quer parar de me encher!”
*Colendo = adjetivo
digno de acatamento e veneração; respeitável, venerando (Houaiss).

   3. Pseudo-soneto do Conquistador.

Troco um beijo voluptuoso,
Primavera de lindas primícias,
Não se pode ser moroso
No meio de múltiplas carícias

Quero render minha homenagem
A uma pletora de mulheres
Para manter minha imagem
De resistência de mil ampères.

Depois, passo a etapa seguinte,
Afinal, sou excelente ouvinte
E não posso magoá-las, jamais.

No entanto, tropeço na afobação
De abrir fecho éclair, fivela e botão.
Que pena! Foi atrapalho demais...

Este pseudo-soneto, a seguir, o sufixo, digamos, é em “aram”. Para o escritor uruguaio Mário Benedetti, in memoriam, autor, dentre outros tantos, dos antológicos “Los formales y el frio” e “Una mujer desnuda y en lo oscuro”).

   4. Pseudo-soneto de Amor

Quando eles caminharam,
Nem os ombros roçaram.
Eis que as mãos se tocaram
E os dedos se entrelaçaram.

Logo, nos olhos, se olharam
E se abraçaram;
Beijos ardentes trocaram
E se acariciaram.

E loucamente se amaram;
Novos mundos alcançaram
E por galáxias viajaram.

Tantos êxtases alcançaram,
Tantos as almas mesclaram
Que mil perfumes emanaram.
Constatação XI
Não se pode confundir haver com ver, até porque se você der um aval para um amigo, como é de conhecimento geral, além de perder o dinheiro, você perderá o amigo, já que você terá que honrar o aval e não poderá mais ver o dinheiro e ficará eternamente a haver o dito cujo. A recíproca, para esses casos de inimizades econômico-financeiras, pode até ser verdadeira, mas dificilmente factível.
Constatação XII
E como dizia o convencido: -“Se eu não fosse gostosão, como eu sou, eu gostaria de ser como eu sou”.
Constatação XIII
Rico é genioso; pobre, é intratável.
Constatação XIV
Deu na mídia: “Os Estados Unidos planejam construir um avião hipersônico teleguiado capaz de atingir qualquer alvo sobre a Terra em até duas horas depois da decolagem”. Data vênia, como diriam nossos juristas, será que não daria para inventar algo semelhante para que ninguém passasse fome, mesmo que levasse um pouco mais de duas horas ? Quem souber a resposta, por favor, comentários no blog. Obrigado.
Constatação XV
Quando o bancário, representante de um banco famoso adentrou na casa do cliente, que estava ameaçando processar a casa bancária por não tomar conhecimento de pedido pertinente, exclamou, todo simpático: “Mas, que prazer! Eu lhe conheço de algum lugar. Apenas não estou me lembrando de onde. A sua fisionomia não me é estranha”. Ao que, o cliente contestou: “Sorte de nós dois. O senhor por me conhecer. E eu por não conhecê-lo”.
Constatação XVI (Ah, esse nosso vernáculo).
Resolveu dar um malho na mulher, depois de malhar no milharal, aí foi jogar no milhar, tanto no seco como no molhado e, por último, molhou a garganta com aguardente de milho. Melhor para ele e para ela...
Constatação XVII
E como dizia aquele veterano jogador de futebol, sem dúvida, passível de mal-entendido: “Como eram bons aqueles tempos em que dava para mudar de posição”.
Constatação XVIII
E já que falamos em um dos gurus, Mario Benedetti – os outros dois são Millôr Fernandes e Mario Quintana – vale lembrar outra máxima dele na qual este assim chamado escriba se identifica plenamente.
Aí vai ela:
                   Síndrome
                                 Mario Benedetti
Todavia tenho quase todos meus dentes
Quase todos meus cabelos e pouquíssimos grisalhos
Posso fazer e desfazer o amor
Subir uma escada de dois em dois
E correr quarenta metros atrás do ônibus
Ou seja, que não deveria me sentir velho
Porém o grave problema é que antes
Eu não me fixava nestes detalhes.
Constatação XIX (Quadrinha para ser recitada pelos torcedores do meu Paraná).
O time do Paraná não tem ido nem a pau
Todo o ano o desempenho é sempre mau.
Será que não daria para ser o contrário
O time se espelhar no antigo Ferroviário?
Constatação XX (De uma dúvida não necessariamente crucial)
Será que somente ser considerado, pela quarta vez consecutiva, o melhor jogador de futebol do mundo é que se pode permitir em vestir um smoking, terno, ou seja, lá o que for de cor preta com bolinhas brancas? O prezado leitor teria coragem de fazer o mesmo, independentemente de ser o bom, o melhor em alguma coisa? Comentários no blog, se achar que é imprescindível, é claro. Obrigado.
DÚVIDAS CRUCIAIS, VIA PSEUDO-HAICAIS.
Dúvida I
Ele ficava fascinado
Em tomar pinga com
Rum creosotado?
Dúvida II
Será que é um triste destino
O Leão sempre te submeter
A uma operação pente fino?
Dúvida III
Não havia lisura
No valor apresentado
Na fatura?
Dúvida IV
Reunião do OMC
É somente para
Enganar vosmecê?
Dúvida V
Brasil x Equador
Foi disputa
Ou jogo de amor?
Dúvida VI
Não é só por perguntar,
Mas existe a possibilidade
Da gente não se classificar?
Dúvida VII
Será que não tá na hora
Do Paraná ir representar
O Brasil lá fora?
Dúvida VIII
Será que o inverno,
Em Curitiba
É eterno?
Dúvida IX
Você também fica enfermo
Quando político
Fala sem meio-termo?
Dúvida X
Foi a lagartixa
Que chamou o “lagartixo”
De bicha?
Dúvida XI
“Se melhorar, estraga”,
Foi o que disse o velhinho
Que não usava viagra?
Dúvida XII
Quando, no garimpo,
Achou uma pepita
Ele se sentiu no Olimpo?
Dúvida XIII
Já, logo, no começo
Do, anual, bem-bom
Ele teve um tropeço?
Dúvida XIV
É, para o freguês, descaso
Os juros que se cobra
Nas vendas a prazo?
Dúvida XV
Foi a sogra, intratável,
Que antecipou a herança
Passando a ser amável?
Dúvida XVI
É muito laudatório
Receber um “não”
Peremptório?
Dúvida XVII
Ela, renitente, fincou o pé:
“Esse teu papo é ver para
Crer, como São Tomé?”
Dúvida XVIII
Foi ela, muito calma.
Que falou: “Sua
Alma, sua palma”?
Dúvida XIX
É muita falcatrua
Querer vender
Terrenos na lua?
Dúvida XX
Estava tão enigmática
A lua-de-mel que até parecia
Um problema de matemática?