Postagens populares

Pesquisar este blog

Carregando...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ENTREI PARA A ACADEMIA

ENTREI PARA A ACADEMIA


Sérgio Antunes de Freitas


Certamente, vocês estão pensando que eu entrei para a Academia Brejeiropolense de Letras, orgulho de Brejeirópolis.
Não, não foi. Perdi a eleição para o açougueiro. Sabe como é política, né? Ademais, ele lê jornais o dia inteiro.
Eu entrei para uma academia de ginástica, sim!
Estou achando ótimo, afora uns percalços, pois existem umas diferenças, entre os jovens e os velhos, que se refletem no desempenho físico.
Por exemplo, um jovem, quando entra na academia, inicia seus exercícios, entre outros aparelhos, no chamado “remo” (eu chamo de vem-cá-meu-bem), com 15 quilos nos pesos.
Uma semana depois, ele passa para 25 quilos.
Um mês depois, ele passa para 75 quilos.
O velho também inicia com 15 quilos.
Uma semana depois, ele contrai uma bursite.
Um mês depois, ele reduz para dez quilos.
Mas o velho se diverte muito mais, vendo os tipos que aparecem.
O padrão é o “malhado”, sempre vestido a caráter, com calção, camiseta, tênis de marcas famosas, e aquela original tatuagem de arame farpado no antebraço. Por falar nisso, eu procuro tenazmente uma tatuagem que não seja de, no mínimo, gosto estético duvidoso. Se alguém encontrar, tira uma foto e me manda, por favor. Mas não percam tempo, enviando imagens de dragões, borboletas, letras orientais, fadinhas, flores, desenhos místicos, frases religiosas, nomes de mamães ou filhinhos, pois, nesses casos, nada vejo que substitui a beleza da pele humana.
E, voltando aos tipos, há o “malhado narciso”, que faz uma série de exercícios e corre para o espelho, para ver se aumentou o muque. Se encontra um amigo, grita: - Vamos malhar pra valer, garoto. Isso aqui não é fisioterapia, não!
E o “predador”? Ele mira, de longe, o aparelho que pretende usar; depois, segue com passos vagarosos e olhos de lince. Quando se aproxima, dá uma volta em torno de sua presa e pára, com as mãos na cintura. Aí, afere os pesos, o banco e o encosto, voltando a olhar para a vítima, com as mãos na cintura. Enfim, faz o esperado exercício hercúleo e se levanta vitorioso, esperando que todos tenham olhado sua performance. Mas só quem olhou foi o babaca aqui!
Nessa linhagem, há também o machão, que carrega o aparelho com o máximo de pesos e, ao final, solta-os, para que caiam com força, fazendo um barulho insuportável.
Não se sabe se ele não agüentou mesmo, ou apenas quer chamar a atenção dos outros machos.
Detestável é o “troglodita”, com camiseta de time de futebol, barba por fazer e olhos vermelhos. Ele chega à área onde as pessoas deitam em colchonetes, para fazer a ginástica de solo, e cospe no chão mesmo. Deve ser segurança do Poder Legislativo. Ganha muito, mas não tem verniz, como se dizia antigamente.
Eu gosto mesmo é da “bonitinha”. Na verdade, ela não é tão bonitinha assim. Se fosse, não estaria lá, mas nas telas da TV ou nas páginas das revistas masculinas e teria uma academia particular em sua mansão, com um treinador pessoal. Porém, é sonhadora e tem certeza que todos estão olhando para ela. Então, sai de um aparelho ouvindo o som de seu “walk-man”, dançando e dando pulinhos. Vai para frente do espelho, toma um gole de água, arrebita a bundinha e a olha de lado.
Eu já ia me esquecendo da “gordinha”. Ela tem, sim, esperanças de emagrecer! Faz todos os exercícios disciplinadamente. No final, sobe no aparelho que eu chamo de “o mais cruel de todos”, a balança. Aí, desce, como se estivesse subindo... para o patíbulo. Mas é tão simpática que a gente nem nota que está levemente acima do peso máximo.
Os resultados de exercícios constantes e bem feitos é sentido no bem-estar do dia-a-dia e visto nos resultados dos exames de sangue, por exemplo.
Eu recomendo a todos, mas sugiro que tomem cuidado com os instrutores, que sempre querem transformar qualquer um em atleta olímpico.
Um deles me falou: - Pode se esforçar ao máximo, pois, em caso de desmaio, tem o Carlitão, da turma da limpeza, que sabe fazer respiração boca-a-boca como ninguém.
É ruim, heim?

Sérgio Antunes de Freitas
5 de Fevereiro de 2011