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sábado, 17 de setembro de 2011

UM BANHO DE MOÇA


                                         www.google.com.br/imagesO banho de Edgar Degas.


Não existia morena mais bela,
Nem requebro mais erotista,
Mais formosa do que ela,
Nem as capas de revista.

Olhos, cílios, nariz,
Primoroso era o seu rosto,
Até leve cicatriz
Parecia feita a gosto.

Então, me veio a tormenta,
Jumenta, não sei de onde:
- Se é bonito o que apresenta,
Imagina o que se esconde!

Jurei, em momento de ócio,
Embora não faça sentido:
- Eu faço qualquer negócio,
Quero ver o proibido.

Planejei os movimentos,
Analisei circunstâncias.
Medi todos comprimentos,
Alturas, tempos, distâncias.

Perdi um dia de roça,
Fiquei lá o tempo inteiro,
No forro da casa da moça,
Bem no alto do chuveiro.

No maldito esconderijo,
Fui cruelmente picado,
Pulga, fincão, percevejo
E um prego enferrujado.

Carapanã, maruim,
Mosquito-palha e pium.
Perverso mesmo, pra mim,
Igual muriçoca, nenhum.

Naquele dia sangrento,
Não sei qual foi a razão,
Eu feito de alimento
E só quem banhou foi o irmão!

                           www.google.com.br/images. Mulher depois do banho. Edgar Degas.


Sérgio Antunes de Freitas