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sábado, 22 de setembro de 2012

UM ÊXTASE!


REMEDINHO BOM
Sérgio Antunes de Freitas
www.google.com.br/images Jonh Travolta nos embalos de sábado a noite!

O Ananias saiu só para acompanhar os amigos e curtir uns bons momentos no sábado. A farra evoluiu e eles resolveram ir a uma boate.
Tantos anos que ele não ia a uma dessas casas noturnas! Nem se preocupou com as conseqüências de chegar tarde e levar uma bronca da Graça, a sua esposa.
Mas se arrependeu logo, logo!
O barulho era muito alto, do tipo bate-estaca ou britadeira; as músicas, quando aconteciam, eram desconhecidas; as mulheres, muito jovens para aceitarem um pedido de dança. E as danças não eram da sua praia, pois ele era do tempo do bolero, do ritmo romântico, do rostinho colado.
Ficou sentado à mesa, até concluir, cansado, pela melhor opção: voltar ao lar doce lar, aconchegante e, acima de tudo, silencioso.
Nesse momento, observou sobre a mesa umas balinhas com embalagens atrativas e achou que eram brindes da casa. Talvez acúcar para cortar os efeitos do álcool. Botou umas no bolso para, pelo menos, aliviar um pouco o alto custo da entrada.
Sua esposa nem notou a chegada fora de hora e nem deu bronca nenhuma, por conta do cansaço semanal. Apenas, pela manhã. deduziu que ele havia passado mal e que comprara o remédio encontrado no bolso de sua jaqueta. Guardou as balinhas na pequena farmácia caseira, uma caixa de vime colocada em cima do armário da cozinha, e acabou se esquecendo de perguntar sobre isso.
Dias depois, o casal recebeu a visita do tio, um velho até que animado para a idade avançada, mas que estava cabisbaixo.
- Tio, você está bem?
- Não, Ananias. Eu estou com uma dor de cabeça muito forte. Você tem algum analgésico para eu tomar?
Nesse momento, o telefone tocou.
Antes de atender, o Ananias orientou o tio querido: - Vai até a cozinha, Tio. Em cima do armário, tem uma caixinha de vime. Pega um comprimido de embalagem verde e toma agora. Se não passar, daqui a quatro horas, toma outro.
Algum tempo depois, perguntado se a dor havia passado, o tio respondeu satisfeito: - Mas que comprimido maravilhoso! Parece que arrancou a dor com a mão. E ainda está me dando uma vontade louca de dançar.
www.google.com.br/images Village People.

Notando que o velho aumentava o estado de ansiedade, já chegando a uma condição de hiperatividade, meu amigo resolveu leva-lo ao hospital.
- Por que você me trouxe aqui? Eu queria ir a um pagode. – reclamava o velho com o seu sobrinho dedicado.
No atendimento, quando o médico perguntou se o tio havia feito uso de algum medicamento, por sorte, o velho mostrou a embalagem da droga guardada no bolso, na qual estava escrito “Fusca Verde”.
- Meu Deus, isso é ecstasy! - exclamou o médico.
Assustado, o Ananias perguntou o que deveria fazer, se isso iria causar algum mal, se havia algo para cortar o efeito.
O médico ponderou que não deveria ser feito nada, exceto aguardar os efeitos passarem, para observar as reações incômodas posteriores.
Bem humorado, o doutor ainda recomendou. – Leve-o a uma danceteria, deixa o cara curtir. Depois, recolhe o que sobrar e traz aqui.
www.google.com.br/omages Filme Cocoon. Cena da piscina que tinha um remedinho para lá de bom!


Dizem as más línguas que não deu tempo nem para rirem, pois notaram que o homem havia fugido do consultório, sem que percebessem.
Procura daqui, procura dali; pergunta daqui, pergunta dali, quando perceberam um movimento estranho no saguão do hospital.
Dois seguranças tentavam dominar o homem, para nele colocarem uma camisa-de-força, mas não conseguiam.
Ordenados a pararem com a abordagem e questionados pelo médico, obedeceram, arfando como fundistas após as provas olímpicas.
Um deles, então, explicou: - Esse velho chegou aqui pulando. Quando ouviu a sirene da ambulância, catou a enfermeira-chefe e saiu girando com ela mundo afora. Pode ver, a “muié” está ali, tomando um calmante.

Sérgio Antunes de Freitas
21 de setembro de 2012