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domingo, 9 de setembro de 2012

QUANDO UMA TOPADA COM O...MÍNIMO, PODE SER O MÁXIMO DE GARGALHADAS!


DESQUALIFICADA
www.google.com.br/images 
Sérgio Antunes de Freitas

Sacripanta, vipérea, canalha, cruenta, hedionda, perversa, nefanda e todos os seus sinônimos do mais rasteiro calão.
Sim, é assim que eu qualifico aquela inimaginável dor que senti hoje de manhã, quando topei com o dedinho do pé direito no pé da cama.
Desclassificada!
Durante uns minutos, que me pareceram meses, mandei ao inferno todos os poetas cantadores das belezas da vida.
Também mandei acompanhá-los os filósofos e religiosos que dizem ser a dor uma forma de aprimoramento do espírito. Choram os amores perdidos, as saudades da infância e da adolescência, as injustiças sociais e a maldade humana, mas, provavelmente, esses ignorantes nunca toparam com o indefeso dedinho no pé da cama.
Pelos meus cálculos, a pancada foi de uns noventa quilogramas-força (kgf), com erro de dois para mais ou para menos.
Por sorte, eu emagreci um quilo na semana passada, pois, acredito, se acertei o cálculo com precisão e o impacto tivessse sido acrescido de mais meio kgf, eu teria o dedo amputado intempestivamente.
Ou arrancado o pé da cama.
Cheguei ao limite do terror e não gostei. Deitei-me no chão e rolei com rapidez, imaginando que isso poderia ser um médodo índio para diminuir a sensação horripilante.
www.google.com.br/images. Eu prefiro a dooooooooor do parto!

Não conseguia conceber como todo um corpo deve sofrer por conta de um simples dedinho inferior e quase desnecessário.
Quando sobreveio a coragem de olhar o estrago, mirei para baixo com um olho só. O artelho parecia normal, mas os outros quatro estavam tortos, convergindo para o mesmo lado, como se olhassem para o menor, perguntando: - O que está acontecendo com você, Minguinho?
E se ele também pudesse falar, perguntaria: - Vocês podem me informar se eu estou certo ou virado do avesso?
Já com um lugar garantido no céu, um tempo depois, me sentí como se respirasse sem aparelhos.
Claro, eu não havia utilizado aparelhos, mas devo ter ficado sem respirar por todo o tempo. Aliás, não devo ter respirado, nem pensado com lógica, nem salivado. O fígado não secretou bile e o pâncreas não produziu insulina. Todo o meu organismo deve ter entrado em estado de greve. E ninguém queria negociar com ninguém. A dor reinava em todo o universo!
E não venham as mulheres me dizerem que a dor do parto é pior. Se fosse, teríamos uma densidade populacional estável. Para cada criança que nascesse, uma parturiente morreria.
www.google.com.br/images. Affffffffff!

Saído das trevas, fiquei observando se aparecia algum sinal de fratura na área atingida. Aliás, chamar de área é excesso de linguagem, de tão pequeno que é o inocente.
Felizmente e inesperadamente, não havia nenhum sinal de sequelas.
Entretanto, senti, por vezes, um dactilospasmo, que é como a medicina chama a contração involuntária e espasmódica de um dedo.
Fiquei atento à ocorrência e sob quais circunstâncias ocorria.
Só então percebi a razão: quando eu passava perto de um móvel com pés de madeira, o dedinho encolhia mesmo. Se fosse de ferro, acho até que ele gritava.
E eu já ia me esquecendo de contar que, no auge da dor, terminei por cometer um pecado.
www.google.com.br/images. "Assim você mata o papai, ai, ai, ai, ai, ai! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Transtornado, porém considerando nunca ter promovido nenhum genocídio, pensei que o Criador houvesse enviado uma penitência para a pessoa errada.
Voltei-me para os céus e blasfemei: - Presta atenção, Altíssimo! Como diz a música... assim, Você me mata!

Sérgio Antunes de Freitas
7 de setembro de 2012