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sábado, 14 de maio de 2011

QUEM QUER: O CÉU OU SER PROFESSOR(a)

PROCURA-SE PROFESSOR!
Marina da Silva
http://sejaumprofessor.mec.gov.br/“Seja um professor. Venha construir um Brasil mais desenvolvido, mais justo, com oportunidades para todos”. MEC- Ministério Educação.


Respeitabilidade, honradez, utilidade social inquestionável, a profissão mais importante do mundo, o professor tinha categoria e uma história de classe! Valorizados por toda sociedade como elite intelectual, profissão sagrada, digna do céu e essencial para o progresso da humanidade, os mestres caíram em desgraça nos trágicos períodos de autoritarismo. No Brasil especialmente após a usurpação do poder pelas “bestas fardadas” no golpe militar de 1964! “A educação oficial no Brasil começa em 15 de outubro de 1827, com um decreto imperial de D. Pedro I, que determinava que "todas as cidades, vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras". É por causa desse decreto, inclusive, que o Dia do Professor é comemorado no dia 15 de outubro.” Perseguidos, torturados, “desaparecidos”, assassinados, a classe foi brutalmente amordaçada, esmagada, massacrada e resistiu, porque, pode-se violar, ferir, destruir corpos, mas há potencialidades humanas  inatingíveis às investidas de ditadores e do terror, entre elas, a liberdade de pensamento, o uso da razão, o livre arbítrio, a escolha!
Aqui no Brasil, os anos 80/90 são marcados pela sucessão de bestas (militares e/ou civis) no poder e à perseguição da classe juntou-se o recrudescimento da desvalorização, desonra, precarização dos salários, das relações e condições de trabalho dos professores, um posicionamento administrativo tacanho que reverbera hoje atravancando a ordem de progresso da era globalizada! Chegamos à primeira década do século XXI como a 7ª potência econômica do planeta, nota 1000 em economia e muitos pontos abaixo da mediocridade na Educação. 
 Um gargalo que pode fazer o país perder o “trem bala” da história do capitalismo na fase de acumulação flexível! “O inssino no Brasiu è ótimo”! A maioria dos professores trabalha em apenas uma escola, de localização urbana, e é responsável por uma turma de 35 alunos em média – informa o MEC/censo educação 2007. Não ria porque o MEC... fala sério!
Temos 1.882.961 professores; 681.662 trabalham em 2 ou 3(?) empregos e o restante em apenas um emprego... de professor! E estes indivíduos são juízes (de futebol e de leis) e professor; dentista e professor; médico e professor; colaboradores(as), consultores(as), promotores(as), revendedores(as) da Avon, Natura, Jequiti, Mary Kay, Racco, Hermes; empreendedores sociais e... professores também! São os 63.8% ou 1.201.299 professores que o MEC supõe que tenham jornada em turno único!

O Ministério da Educação não informa, mas o Ministério da Saúde contabiliza altas taxas de adoecimento para aqueles que ainda insistem e sentem o maior orgulho da profissão ”essencial e desprestigiada” que entre outros transtornos exige: “carga mínima entre 2.400 a 3.200 horas” dentro da sala de aula não contabilizado o tempo gasto no preparo das mesmas, na correção dos “para-casas” e otras cositas extra-classe e fora dos muros da escola! O MEC recomenda e a grande maioria das escolas públicas e/ou privadas não possui: “salas multimídias, laboratórios de pesquisa, informática, imagem e som, documentação, restauração e uma biblioteca básica! Ao sucateamento da educação seguiu pari passu  a deterioração  do sistema de Saúde  e o esfacelamento da saúde dos educadores e  profissionais da saúde, atividades que se tornaram altamente insalubres e periculosas. 
                       Raquel da Silva Lima, professora do Ensino Fundamental em Curvelo. Minas Gerais. Foto facebook.

 Quem viveu em Minas Gerais do final dos anos setenta aos oitenta, quando um trator administrava o Estado lembra-se que as greves e reivindicações dos trabalhadores da saúde e educação eram rechaçadas a cassetetes, cavalaria e bombas de efeito moral(?) e defeito administrativo. O então governador cuja educação formal ou não, era inversamente proporcional aos seus atos de corrupção (safou-se de impechmeant com a anuência de comparsas na Assembléia Legislativa) vinha a público tripudiar dos profissionais taxando professoras de “mal amadas e mulheres que sustentavam marido" – o salário assim o permitia, óbvio!
A desvalorização geral das categorias e a precarização da  saúde  e educação transformou os profissionais em sal,   mercadoria 1.99: “um produto  branquinho, baratinho que em qualquer canto se acha!”. Também marca os anos oitenta e noventa vários confrontos entre governos (federal, estadual, municipal) e diversas categorias, entre elas trabalhadores da saúde e educação. Greves recorrentes, longos períodos de paralisações, truculência oficial levaram ao desrespeito e descrédito e desvalorização moral e econômica dos profissionais que se viram acossados desde então pelo assédio físico, psicológico, material; um conflito armado entre professores/pais/alunos/colegas/direção/governos/sociedade (a mesma situação vivida por médicos/pacientes/familiares/demais profissionais da saúde/diretores/governo.

Os diagnósticos ou raios-x da Educação apresentados na mídia diuturnamente mostram os resultados obtidos com esta postura bizarra e desadministradora dos políticos deste período os mesmos que agora conclamam SEJA UM PROFESSOR! O estado do Piauí  possui a menor nota do IDEB=3.0, vários pontos abaixo da mediocridade, mas a nota média nacional não fica longe dos números do Piauí - 3.6!   
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Com piso salarial nacional a R$1.024,67 (que a maioria dos municípios brasileiros não paga)  que dá 2 Mínimos sem os descontos e não chega ao  maior Mínimo da era Vargas trabalhando 40 horas semanais, pesquisas recentes revelam que além do salário (uma merreca), péssimas condições de trabalho ( equipamentos e instalações em ínfima estrutura) a saúde  e integridade física/moral/psicológica/econômica de professores e professoras, extremamente solapadas, vão de mal para muito pior; uma coisa de doido (divã) e caso de polícia! Nesta paisagem tosca, surrealista quem quer ser professor?

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  Quem são os cidadãos que abrem mão da própria vida para exercer a
 profissão em péssimas condições, e o pior, sem a garantia do paraíso celeste?

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Uma profissão desvalorizada "Só 2% dos entrevistados pretendem cursar Pedagogia ou alguma Licenciatura, carreiras pouco cobiçadas por alunos das redes pública e particular". http://revistaescola.abril.com.br/

Quem se arrisca a responder a convocação da Nação: SEJA UM PROFESSOR! O que é ser professor, uma profissão que já foi “uma Brastemp e hoje não é essa Coca-Cola toda, mas...PODE SER?
Aos mestres, meu carinho, admiração e respeito!