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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A MISÉRIA DO BRAZIL.



QUANDO O TRABALHO É BICO

                                     
BELO HORIZONTE: centenas de cidadãos, homens, mulheres, crianças, grávidas, idosos são empreendedores ambientais, limpam a cidade para uma administração que terceirizou o serviço de limpeza urbana explorando duplamente os trabalhadores de forma ecologicamente verde e sustentável!


Marina da Silva


De chupeta de nenê a pontapé, passando pelo formato do órgão especial das aves para se alimentar ou pessoa intrometida e chegando a amante ou prostituta, a palavra bico tem inúmeros significados.
Bico também é o mesmo que biscate, um serviço simples, pouco importante, temporário, mal remunerado, que se realizava nos momentos de sufoco, de desemprego ou ainda como um segundo trabalho para aumentar a renda do salário, que aqui no Brasil para milhões de trabalhadores é o mínimo desde os tempos de Getúlio Vargas.
O bico até os anos oitenta era realizado principalmente por jovens como forma de ganhar uns trocados e experiência até achar um emprego fichado e pelos desempregados das (des)conjunturas econômicas vividas pelo país a partir dos anos 60 e 70. Bico era um “trampo”, um quebra-galho enquanto os dias melhores não vinham.
A partir dos anos 80 e na passagem destes para os anos 90, em plena terceira revolução tecnológica, intensificou-se a globalização e o aumento da competição por mercados que culminou em mudanças nas formas de produzir: a reestruturação produtiva, ou seja, novas indústrias e serviços automatizados, robotizados, informatizados, que eliminou milhões de postos de trabalhos nos países desenvolvidos e emergentes como o Brasil.
O bico, de temporário, eventual, tornou-se a única opção de trabalho e sobrevivência para milhões de trabalhadores e ganhou outros nomes: trabalho informal, emprego precário, subemprego... Mas o que é ser trabalhador informal? O que é trabalho, emprego?


www.google.com.br/images. A GRANDE SACADA DO SÉCULO FOI TRANSFORMAR O BICO EM EMPREENDERISMO SOCIAL.

Embora haja controvérsias acadêmicas sobre o significado da “categoria” informalidade, os trabalhadores desta categoria vem vivenciando-a sem grandes preocupações... conceituais. Para eles, a informalidade, ser um informal é não ter um contrato de trabalho, uma carteira assinada, é estar por conta própria, a “Deus dará” e a revelia das leis trabalhistas existentes.
Trabalham, têm um serviço, uma ocupação que lhes garante uma renda de sobrevivência, mas estão fora das garantias e proteção social legais da CLT_Consolidação das Leis Trabalhistas ou o que ainda resta dela desde as flexibilizadas _ leia-se perda de direitos conquistados historicamente com muitas lutas _ iniciadas na era Collor, intensificadas com FHC e em curso com Lula.
Os informais engrossam as fileiras do exército de desempregados frutos da reestruturação produtiva, reengenharia, privatizações, mudanças entre outras, impostas pela atual fase de acumulação capitalista, onde ser competitivo, sobreviver no mercado demanda uma super exploração da mão-de-obra empregada, subempregada (terceirizados, autônomos, temporários) e dos informais, que são os trabalhadores sem contrato, sem carteira, sem jornada ou conquistas sociais como: o mínimo de salário, férias, vale-refeição e transporte, descanso semanal remunerado, licenças paternidade e maternidade, 13º salário e muitas vezes até sem local de trabalho.

www.google.com.br/images. MULHERES DE FINA ESTAMPA: empresária, médica, estudantes, taxista, marido de aluguel, professora (ou será Beth a feia), do lar, piriguete, balconista/cozinheira, dondoca da Barra (isto não é ofensivo?), revendedora de cosméticos (igualzinho as da Avon, Natura, Racco, Jequiti, Mary Kay, Hermes etc e tal) 

Enquanto acadêmicos se perdem em querelas e elucubrações sobre informalidade, trabalho informal, economia informal, etc, os trabalhadores sabem que existem apenas o trabalho fichado, o trabalho autônomo _ com formação profissional, reconhecido pelos órgãos públicos, pois recolhem ISSQN/INSS e o bico ou biscate, formalmente denominado trabalho informal.
Embora defensores da reforma trabalhista, do fim da justiça do trabalho, tentem vender a idéia de que a informalidade chega a ser desejável, coisa de primeiro para terceiro-mundistas, pois prescinde de um contrato escrito _ vige a mútua confiança, a palavra dada, as transações tranqüilas entre as partes sem a inoportuna interferência do estado_ uma olhadela de perto, sem as lentes das teorias, deixa escancarada a realidade crua, precária, desumana, da expropriação do trabalhador no mundo da informalidade.



"Estudo do Ipea dividiu os brasileiros com renda mensal inferior a R$ 465 em três grupos:




1.“extremamente pobres” (com renda per capita até R$ 67),




2. “pobres” (renda de R$ 67 a R$ 134)




3. e vulneráveis (renda entre R$ 134 a R$ 465)."


                                        
www.google.com.br/images. Alguns... miseráveis do Brasil. "Se gritar pega ladrão..."


"Os camponeses são o grupo social mais atingido pela pobreza extrema no Brasil, revela estudo divulgado nesta quinta-feira (15) pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas). Entre as famílias consideradas “extremamente pobres”, 36% tinham como fonte de renda, em 2009, a produção agrícola."

"Ainda entre os extremamente pobres, 32% do grupo era composto por famílias que têm como fonte de renda trabalhos informais, sem registro em carteira; 29% por famílias desempregadas; e 3% por famílias com pelo menos um trabalhador formal."
www.google.com.br/images. ALGUNS DOS EMPREENDEDORES DO BRAZIL.